SHOW O violeiro continua tocando em frente
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sexta-feira, 28 de março de 2003
Telma Elorza<br> Reportagem Local 
Há quem goste, mas há também quem odeie tudo que lembre mato, sertão, viola e música que fale disto tudo. Porém, pela procura pelos ingressos para os shows de hoje e amanhã à noite, no Teatro Marista, a maioria dos londrinenses tende para a primeira opção quando se trata do violeiro Almir Sater. E a recíproca é verdadeira. ''Adoro Londrina. Todo mundo sabe as letras, canta junto. É muito bom fazer show aí, saber que vai tocar para quem gosta de ouvir'', diz. Os shows, que têm apoio da Folha de Londrina, estão como sempre que o violeiro se apresenta na cidade com as lotações quase esgotadas.
A reportagem da Folha conversou com Almir no estúdio de gravação onde o violeiro está preparando o novo CD, depois de quase sete anos sem gravar. O último, ''Caminhos me levem'', foi lançado pela Som Livre, em 1997. Mas que os fãs não se entusiasmem muito. O CD ainda demora um tempinho. ''Por enquanto estou fazendo alguns ensaios no estúdio, ajeitando, testando a sonoridade, numa pré-produção'', explica. No repertório, todas as canções inéditas que foram criadas nesse meio tempo. ''Minha mesmo, só duas. O restante foi composto em parceria com meus velhos amigos Paulo Simões e Renato Teixeira'', conta. Parcerias, aliás, que já renderam alguns clássicos que, certamente, estarão presentes no show.
Para Almir Sater, passar esse tempo sem gravar foi uma espécie de ''retiro espiritual''. ''Tá tudo muito confuso, as gravadoras enfrentam uma concorrência desleal com a pirataria, as pessoas pegam as músicas que querem na internet, não há o menor respeito pelo trabalho do artista, nada disso motiva a gente a gravar. Preferi dar um tempo, me afastar um pouco. Vivo mesmo dos meus shows'', explica.
Nessa confusão toda, ele ainda tem uma espécie de dualidade em relação à pirataria. ''Ao mesmo tempo que é legal ver o seu trabalho em cada esquina, também se sente roubado'', explica.
Mas voltando ao novo CD, Almir diz sentiu que estava na hora de gravar novamente, mostrar seu novo trabalho que, modesto, não diz se vai ter novos clássicos, como ''Um violeiro Toca'', ''Tocando em frente'' ou ''Cavaleiro da Lua''. ''O que eu posso dizer é que são todas músicas com inspiração, diferentes daquelas que se faz por obrigação. Algumas são de quatro anos atrás mas que, apesar disso, estão mais atuais que nunca'', explica.
Quanto ao show, os londrinenses também não perdem por esperar. Ele, que não gosta do rótulo de músico de raiz ''faço música popular com sotaque regional, com influência do blues e folk'', define ainda não sabe se vai apresentar algo do novo disco. Mas com certeza ''Chalana'' vai estar lá. ''É meio difícil evitar cantar essa. Eu, que nunca pensei em gravá-la, virou uma espécie de hino. O povo pede, gosta e eu canto com prazer'', diz. Tudo bem, desde que não esqueça também de ''Tennessee Waltz'', que ele canta como ninguém.
SERVIÇO:
Show com Almir Sater. Hoje, às 21 horas; e amanhã, às 20 horas, no Teatro Marista (Rua Cristiano Machado, 241), em Londrina. Ingressos a R$ 30,00 e estudantes, R$ 15,00. Apoio: Folha de Londrina


