Representante do primeiro escalão da Música Popular Brasileira, Ivan Lins volta a se apresentar em Londrina. A ele foi designada a missão de abrir a temporada 2003 do Royal In Concert, concorrido projeto musical da Teixeira & Holzmann Empreendimentos Imobiliários. O cantor e compositor carioca irá mostrar o espetáculo ''A Quem Me Faz feliz'', nome extraído do disco homônimo lançado no ano passado. ''É um show amoroso e carioca com canções românticas e sambas com releituras bossanovista'', disse Ivan Lins em entrevista à Folha2, por telefone. O espetáculo acontece a partir das 21 horas, no Londrina Country Club e é destinado apenas a convidados.
No retorno à cidade, Ivan Lins virá acompanhado de um quinteto respeitável de músicos: Téo Lima (bateria), Marco Brito (teclados), Nema Antunes (contrabaixo), Zé Carlos (violão) e Leonardo Amoedo (guitarra). O repertório é uma mescla dos dois mais recentes álbuns, ''Love Song - A Quem me Faz Feliz'' e ''Jobiniando'' (2001). O repertório congregra cerca de 20 músicas, entre composições próprias e de outros autores como Tom Jobim, Martinho da Vila, John Lennon e Stevie Wonder (''My Cherie Amour'', que ganhou versão de Celso Viáfora).
A platéia deve fazer o tradicional corinho quando Ivan resgatar alguns de seus clássicos como ''Começar de Novo'', ''Antes que seja Tarde'' e ''Desesperar Jamais''. ''São canções do final da década de 70 que se tornaram atemporais. Naquela época a gente pregava esperança, levantava o moral da tropa através de metáforas. Até hoje são lembradas. É muito legal que a geração de hoje ainda esteja completamente sintonizada com as mensagens dessas canções'', analisa o cantor e compositor, que tem uma discografia composta por 27 títulos.
Aos 32 anos de carreira, Ivan Lins imprimiu sotaque próprio dentro da MPB. Por isso mesmo, Elis Regina, a grande senhora da canção popular de sua geração, avalizou o trabalho dele através de versões irretocáveis como ''Aos Nossos Filhos'', ''Cartomante'', ''Dinorah, Dinorah'' e ''Madalena'' aliás seu primeiro sucesso como compositor, em parceria com Ronaldo Monteiro com quem voltou a compor depois de 27 anos, em ''Lua do Arpoador'' (faixa de abertura do mais novo CD).
No entanto, o nome de Ivan sempre estará associado ao de Vitor Martins, cuja parceria foi inaugurada em 74. ''Nos últimos anos o Vitor não escreveu mais letras para cuidar da Velas (gravadora) que é o sonho da vida dele. Então, de 98 para cá vieram outros parceiros, com mais frequência o Celso Viáfora'', conta
O casamento musical da dupla Lins-Martins deverá ser refeito no ano que vem quando os dois completam 30 anos de parceria. Deve dar pano para a manga ou melhor, render um disco comemorativo. Ivan já enviou três canções para Vitor colocar letras a intenção é chegar a pelo menos oito canções inéditas.
O projeto deve engatar, mas ainda não se sabe em qual gravadora poderia ser lançado. ''Talvez até a própria Velas'', sugere Ivan Lins que fazia parte da Abril Music, que fechou as portas recentemente. ''Estou sem gravadora e não estou preocupado com isso. Não estou com pressa porque o mercado não está muito receptivo à música de qualidade. Não descarto a volta às multinacionais, mas teríamos que conversar muito'', diz ele.
Ele tem razão: um artista de carreira longeva não pode, nessa altura do campeonato, ficar à mercê das exigências mercadológicas. Ainda mais ele, dono de uma obra generosa reconhecida também no exterior George Benson, Ella Fitzgerald, Quincy Jones, Sarah Vaughan,Carmen MacRae e até a estrelíssima Barbra Streisand, entre outros, se renderam aos encantos da música de Ivan Lins
Dos grandes do exterior, o compositor confessa que gostaria muito de ver uma de suas obras registradas por Peter Gabriel, Tony Bennet e, vejam só, o ex-Beatle Paul McCartney. No Brasil, uma intérprete ainda está em seus planos: Maria Bethânia. ''Ela é a grande rainha dos palcos brasileiros'', diz.
Enquanto o próximo disco autoral não vem, Ivan Lins vai tocando outros projetos como a trilha sonora do filme ''Bens Confiscados'', do diretor ®MDBO¯ ®MDNM¯Carlos Reichenbach com quem já trabalhou junto em ''Dois Córregos'' (1999). Portanto, ainda é muito cedo para ele para olhar para trás e fazer um balanço de mais de 30 décadas de carreira. ''Esses anos passaram tão rápidos que eu tenho a sensação de que não fiz metade do que queria fazer. Tenho compulsão em criar'', informa.
Em outras palavras, de ostracismo Ivan Lins nunca vai padecer.
SERVIÇO
- ''A Quem Me Faz Bem'', show com o cantor e compositor Ivan Lins. Hoje, a partir das 21 horas, no Londrina Country Club (Rua Fernando de Noronha, 977®MDBO¯ ®MDNM¯), dentro do projeto ''Royal in Concert'' da Teixeira & Holzmann Empreendimentos Imobiliários. O espetáculo é destinado apenas a convidados.

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