Ranulfo Pedreiro
De Londrina
O nome dele circula com frequência, associado à importância musical, no meio de violeiros e amantes da música de raiz. Tião Carreiro foi um músico que hoje arranca elogios de gente como Pena Branca & Xavantinho e Almir Sater. Não era bom apenas na viola, instrumento com o qual inventou o pagode sertanejo – ritmo que muitos suam para aprender e poucos o fazem corretamente. Tião Carreiro também cantava e compunha com propriedade.
O músico será homenageado hoje, às 20h30 no Teatro Zaqueu de Melo, em Londrina, com o show comentado ‘‘Na Carreira de Tião Carreiro’’, evento que faz parte da programação da III Londrina Mostra Folclore, realizada pela Secretaria de Cultura de Londrina.
O espetáculo vai contar com apresentação de Cléber Tóffoli, produtor do programa ‘‘Voz & Viola’’ da Rádio Universidade FM, da Universidade Estadual de Londrina, e participação do cantor Peão do Vale, do violeiro Simão e da dupla Havaí e Havaré.
A seleção de repertório e organização de informações obedeceram a uma pesquisa que envolveu ex-companheiros de Tião Carreiro, inclusive Dona Nair, viúva do compositor. ‘‘Comecei a levantar o que eu já tinha, e encontrei alguns pesquisadores independentes. Cheguei à conclusão que o texto não está definitivo, porque encontrei um sujeito que viajou por dez anos com Tião Carreiro e vou conversar com ele’’, comenta Tóffoli.
José Dias Nunes, que antes de assinar Tião Carreiro foi também Zezinho, Palmeirinha e Zé Mineiro, nasceu em Montes Claros, Minas Gerais em 1934. Com dezenas de discos gravados, Carreiro desenvolveu um trabalho que inclui gêneros diversos.
Sua morte, ocorrida em 1993, foi associada pelos boatos ao alcoolismo. Mas, na verdade, Tião Carreiro tinha uma hepatite mal curada e não bebia por causa da doença. Posteriormente, teve problemas renais e diabetes. ‘‘Fizeram uma campanha pelo rádio e apareceram 27 doadores para oferecer o transplante, mas ele já não tinha saúde para suportar a cirurgia’’, ressalta Tóffoli.
O programa da apresentação inclui ‘‘Boiadeiro Punho de Aço’’, primeira música gravada por Tião Carreiro, em 1956. Em seguida, serão lembradas ‘‘Rei do Gado’’, ‘‘Pagode’’ – que deu origem ao termo na música sertaneja –, ‘‘Pagode em Brasília’’, ‘‘Boi Soberano’’, ‘‘Saudade’’, ‘‘Pai João’’,‘‘Encantos da Natureza’’ e outras, incluindo instrumentais em viola solo. O espetáculo fecha com ‘‘Rio de Lágrimas’’.
‘‘O Tião conseguia cantar, compor e tocar com a mesma categoria, influenciou gerações inteiras e criou o pagode, que é uma mistura de recortado com catira’’, lembra Cléber Tóffoli. No intervalo de cada música, o apresentador vai comentar detalhes sobre a vida do compositor.
‘‘Acho que Tião Carreiro ganhou reconhecimento, a cada dia a gente vê a influência nos violeiros e duplas de hoje, que fazem reverência quando se referem a ele’’, completa. O compositor ganhou, em 1996, uma homenagem com o disco ‘‘Saudades de Tião Carreiro’’, com interpretações de Sérgio Reis, Irmãs Galvão e Almir Sater, entre outros.
•‘‘Na Carreira de Tião Carreiro’’, show comentado e produzido por Cléber Tóffoli, com Havaí e Havaré, Simão e Peão do Vale. Hoje, às 20h30 no Teatro Zaqueu de Melo (Avenida Rio de Janeiro, 113, no prédio da Biblioteca Pública de Londrina). Entrada franca.A III Londrina Mostra Folclore realiza hoje apresentação comentada sobre a obra do compositor reverenciado pelos violeiros
Arquivo FolhaPardinho e Tião Carreiro (de chapéu) durante apresentação em Londrina: violeiro é apontado como referência para a música de raiz

mockup