O sambódromo no Rio de Janeiro se transformará num grande oceano verde e rosa onde ''...a Mangueira toda airosa'', como o samba-enredo deste ano anuncia, engalanada nas cores que se tornaram uma paixão, lembrará Eça de Queirós, louvando Fernando Pessoa numa declaração de amor pela língua portuguesa.
Terceira escola do Grupo Especial do Carnaval carioca a desfilar hoje à noite, a Estação Primeira promete fazer uma apresentação inesquecível em que contará com um time de imortais da Academia Brasileira de Letras (ABL).
O enredo criado pelo carnavalesco Max Lopes ''Minha Pátria é Minha Língua, Mangueira Meu Grande Amor. Meu Samba vai ao Lácio Colhe a Última Flor'', levará para o sambódromo mais do que uma veneração pelo idioma de Camões e Machado de Assis, mas também um espetáculo em que a língua portuguesa revelará toda a sua força e poder de criar um universo de fantasia, proposto pela literatura.
Primeira escola de samba a incluir em suas alas a das baianas, na década de 60, a Mangueira que no Carnaval 2006 ficou em quarto lugar com o enredo ''Das 'Aguas do Velho Chico, Nasce um Rio de Esperança'', contará com o reforço dos imortais para contar essa nova história na passarela, entre os quais Marcos Vilaça, Antonio Carlos Secchin, Antonio Olinto, Ivan Junqueira e Domício Proença Filho.
Além de mangueirenses tradicionais e que todos os anos seguem atrás da bateria, sambando no chão, como o ex-jogador Júnior e a cantora Rosemary, as alas terão ainda a participação de celebridades, como as atrizes Luana Piovani, Eliane Giardini, os atores Paulo Betti e Wagner Moura e a cantora Maria Rita.
Antes da esquadra da Verde e Rosa invadir o sambódromo, o desfile será aberto pela Estácio de Sá com o enredo ''O Tititi do Sapoti'', do carnavalesco Paulo Menezes, que terá a responsabilidade de esquentar o público nos primeiros minutos da primeira apresentação do Grupo Especial.
Na sequência vem o Império Serrano com ''Ser Diferente é Normal. O Império Serrano faz a Diferença no Carnaval'', enredo desenvolvido por Jack Vasconcelos.
A Viradouro é a quarta escola a desfilar, seguida da Mocidade com o seu ''Futuro no Pretérito: Uma História Feita à Mão'', que encherá os olhos do público com a batida da bateria em verde e branco.
O primeiro dia de desfile no Rio terminará com a polêmica da escola campeão de 2006, a Vila Izabel com ''Metamorfose do Reino Natural à Corte Popular do Carnaval - As Transformações da Vida'', do carnavalesco Cid Carvalho.
Com a estréia da bailarina, Ana Botofogo, como coreógrafa, após um ano na Mocidade, a Vila ainda não conseguiu apagar a fogueira das vaidades que queima também no Carnaval ao levar para o sambódromo uma comissão de frente que lembra macacos.
A comissão do Carnaval da Beija-Flor não gostou nada da proposta, acusando a campeã de ter plagiado a idéia do enredo da agremiação de 1996. A Vila Izabel se defende, afinal de contas, assim como a TV, o Carnaval é um espetáculo de massa e não está imune ao ''nada se cria, tudo se...''

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