A era de ouro das big bands remonta às primeiras décadas do século 20, mas seu legado cativa seguidores até hoje em diversas partes do mundo. A Londrina Big Band é uma das herdeiras da tradição. Fundada há 15 anos pelo maestro Vitor Gorni, costuma empolgar platéias com sua excelência instrumental, já reconhecida por instituições nacionais de prestígio.
  Hoje à noite, seus músicos saem da toca para se apresentar no bar Valentino. O show começa às 22 horas. O repertório reúne composições autorais e temas de Duke Ellington e Ary Barroso. ‘‘Procuramos privilegiar nossas próprias músicas porque temos compositores no grupo, como o próprio Vitor, além de Gilberto de Queiroz (trombone), Paulinho Siqueira (sax-alto) e Ricardo Penha (contrabaixo)’’, diz o guitarrista André Campelo.
  Além deles, a banda conta com Wesley Cesar (sax tenor), Cicero Cordão (trompete), Arthur Fernandes (trompete), Mateus González (piano), Roger Aleixo (bateria) e André Vercelino (percussão). Para Campelo, a Londrina Big Band oferece uma particularidade especial para quem assiste às suas apresentações. ‘‘Tentamos resgatar um jeito antigo, mas não antiquado, de tocar que é executar lendo a peça. É uma forma tradicional de tocar com a estante na frente dos músicos’’, diz.
  Ele lembra que a formação sofreu defecções ao longo dos anos devido à rotina exigida para manter a banda em atividade. ‘‘A necessidade de disciplina e dedicação é muito grande. Tem que ter ensaios semanais, independente de chuva ou se vamos fazer um show. E não é todo mundo que está sempre disponível. Já tivemos mais integrantes. Hoje somos em onze’’, explica.
  O guitarrista observa ainda que, levada a formação atual ao pé da letra, não se poderia chamar o grupo de ‘‘big band’’. ‘‘Acho que a melhor definição seria combo. É que uma autêntica big band tem cerca de 20 componentes e naipes completos, o que não é nosso caso, embora acredite que poderemos voltar à formação original mais pra frente’’, assinala.
  Segundo ele, a Londrina Big Band não está sozinha no Brasil no resgate da tradição. ‘‘Há muitas big bands por a풒, afirma. ‘‘Posso citar a Orquestra Vitor Santos e a Itibere Orquestra Família, ambas do Rio de Janeiro; a Mantiqueira e a SoundScape Big Band, de São Paulo; A Cambanda, de Tatuí (SP); e a Spokfrevo Orquestra, de Recife (PE). São todas ótimas’’.
  O grupo londrinense lançou um CD em 2003. Um ano depois, conseguiu projeção nacional ao ser selecionado pelo projeto ‘‘Rumos do Itaú Cultural’’, um dos mais importantes do País. O prêmio foi um show em São Paulo e a participação, com três músicas, em um DVD que reuniu talentos musicais de várias regiões brasileiras. O DVD
fez parte de uma caixa com 9 CDs distribuída
para 40 países.
  ‘‘Esse prêmio serviu para dar continuidade ao trabalho, porque não é fácil conseguir se manter tocando apenas música instrumental. Foi um grande estímulo’’, diz. Nesta temporada, o grupo foi contemplado com uma série de 9 concertos em projeto aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Na próxima segunda-feira, eles se apresentam no Museu de Arte.
  Já o show de hoje no Valentino é uma espécie de ‘‘teste’’ para a banda. É que se o público comparecer em peso, o proprietário vai garantir um show mensal na casa.

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