Show de João Gilberto e Caetano Veloso abre a maior casa de espetáculos do País
São Paulo, 01 (AE) - A maior e mais cara casa de espetáculos do País entra no circuito daqui a um mês com força total. O Credicard Hall, templo de shows que custou até agora R$ 34 milhões e tem capacidade para 7,5 mil espectadores, está com uma fornida agenda internacional para seus dias de estréia. O primeiro show internacional já está marcado para os dias 9 e 10 de outubro, com a banda americana Red Hot Chili Peppers, que mostra seu novíssimo show "Californication".
Depois dos Peppers, em novembro, virão, pela ordem, a cantora canadense Alanis Morrisette, a banda inglesa Blur e o bluesman americano Johnny Winter. As datas ainda estão por confirmar. A casa, que fica ao lado do Hotel Transamérica, na Marginal Pinheiros (Avenida das Nações Unidas, 17.955, tel. 5643-2500), abre-se ao público no dia 2 de outubro com um show conjunto dos grupos Paralamas do Sucesso e Titãs. "Esse show foi marcado como um recado claro: vai ter de tudo aqui", disse o publicitário Nizan Guanaes, um dos sócios do empreendimento. "Vai ter pagode, luta de boxe, jiu-jítsu".
A inauguração (apenas para convidados) será no dia 30, com um show de João Gilberto e Caetano Veloso. O Credicard Hall é resultado de um empreendimento conjunto entre a Credicard S.A, administradora do cartão de crédito, e o Palace, uma das mais antigas casas de espetáculos de São Paulo, que já recebeu 4,5 milhões de espectadores em 16 anos de atividade.
Fernando Altério, do Palace, diz que o crescimento e a profissionalização do setor foram dois fatores que estimularam a abertura da nova casa. São Paulo é o lugar onde esse mercado mais cresce na América Latina e no mundo (cerca de 40% nos últimos 4 anos). Em 1997, 7 milhões de espectadores deixaram R$ 150 milhões nas bilheterias de teatros e casas de show do País (o mercado americano fatura US$ 350 milhões).
A capital paulista fica atualmente com R$ 60 milhões desse faturamento e deve elevar esse valor para R$ 100 milhões no próximo ano. Mas o retorno do investimento feito no Credicard Hall, previsto para cinco anos, pode sofrer contratempos. "Tudo depende diretamente da paridade cambial", diz Fernando Altério. As variações da cotação do dólar têm trazido transtornos ao setor.
Os donos do Credicard Hall chegaram a recorrer à Lei de Incentivo à Cultura para o projeto. Queriam R$ 14 milhões. Mas o governo federal - que já havia investido na construção do Teatro Alfa Real - resolveu mudar suas prioridades e passou a investir mais em produção do que em construção. A concorrente direta do Credicard Hall é a Via Funchal, aberta há cerca de dois anos na Vila Olímpia. Altério diz que, quando seu projeto foi iniciado, já sabia da construção da Via Funchal, mas crê que os "diferenciais" do Credicard Hall vão contar pontos.
Fora os 15 mil metros quadrados de área construída, a nova casa tem um desenho interno especial, que permite que o espectador nunca fique a mais de 50 metros de distância do palco. Tanto dos balcões quanto da platéia, a visão é excelente. O projeto, assinado pelo escritório Croce, Aflalo & Gasperini (o mesmo do auditório de Campos do Jordão), é dotado de um sistema - com poltronas retráteis e plataformas elevatórias - que possibilita, em meia hora, a mudança do espaço para eventos específicos. Possui ainda estacionamento com 1,2 mil vagas.
O Credicard Hall pretende criar um serviço de televendas e atendimento ao consumidor com funcionamento ininterrupto. E a compra de ingressos poderá ser feita nas bilheterias, por telefone e com cartão de crédito ou pela Internet (no site www.credicardhall.com.br, a partir de outubro). Para facilitar o acesso - já que o local é distante -, haverá vans saindo dos principais shopping centers da cidade até a porta da casa. (J.M.)





