São Paulo, 28 (AE) - A inauguração do Credicard Hall (Avenida das Nações Unidas, 17.955, tel. 5643-2500), amanhã (29) à noite, com uma festa para cerca de 4 mil convidados, é a sedimentação do papel de São Paulo como a maior metrópole cultural da América Latina. O show de João Gilberto e Caetano Veloso é só a cereja de um bolo que vai ter, ainda este ano, Red Hot Chili Peppers (dias 7 e 8), Chico Buarque, Alanis Morissette
Blur e Johnny Winter e, no ano que vem, os megassucessos Ricky Martin e Andrea Boccelli.
O Credicard Hall nasce como sintoma de uma descoberta que desafia até as intempéries econômicas do País: o mercado de show business na cidade de São Paulo não pára de crescer. Em 1997, 7 milhões de espectadores deixaram R$ 150 milhões nas bilheterias das casas de shows e teatros da capital paulista. No ano 2000, esse valor subirá para R$ 200 milhões, segundo previsão de empresários do setor.
Mas a inauguração do local faz parte também de uma estratégia ampla de valorização de uma região imobiliária da cidade - à qual se soma o Teatro Alfa, inaugurado há dois anos. "É um mercado tão grande que não podíamos entrar pequenos", diz Luiz Javier González, diretor de Marketing da holding mexicana Corporação Interamericana de Entretenimento (CIE), parceira do Credicard Hall na contratação de artistas internacionais. "A procura do público por shows cada vez maiores nos levou a buscar um parceiro adequado aqui", afirma González.
O grupo mexicano CIE, que atua nos Estados Unidos, na Espanha, na Argentina, na Colômbia, no México, no Chile e agora no Brasil, surgiu há nove anos na Cidade do México como uma companhia de mercado aberto, com ações na bolsa que custavam, na época, US$ 20 milhões. Atualmente, seu capital está estimado em US$ 600 milhões. Fora os 15 mil metros quadrados de área construída, a nova casa tem um desenho interno especial, permitindo que o espectador nunca fique a mais de 50 metros de distância do palco. Tanto dos balcões quanto da platéia, a visão é excelente. As 1.120 poltronas podem "sumir" ou "reaparecer" em apenas 30 minutos, controladas por um sistema de computador.
O projeto é assinado pelo escritório Croce, Aflalo & Gasperini (o mesmo do auditório de Campos do Jordão) e é dotado de um sistema - com poltronas retráteis e plataformas elevatórias - que possibilita, em meia hora, a mudança do espaço para eventos específicos. Possui ainda estacionamento com 1,2 mil vagas. "Nossa capacidade é 60% maior do que a do Via Funchal", disse Fernando Altério, sócio da casa e também proprietário do Palace, sobre o concorrente direto do Credicard Hall. "A diferença também é que nossa casa foi projetada especialmente para receber grandes públicos, ao passo que o Via Funchal e o Metropolitan são Palaces crescidos", avaliou.
O Via Funchal, estabelecido há pouco tempo na Vila Olímpia, tem abrigado megashows até agora, como o dos grupos Chemical Brothers e Echo & The Bunnymen. Mas o novo espaço não teme tanto a concorrência, já que - segundo pesquisas do grupo CIE - o crescimento do público em São Paulo é progressivo (aumentou cerca de 40% nos últimos anos). A confiança dos empresários parece ter fundamento: já foram alugadas todas as 30 suítes da casa, pelo período de um ano, a preços que ficam entre R$ 105 mil e R$ 205 mil.
O Credicard Hall também negocia com a Rede Globo de Televisão o uso da casa para a gravação de programas especiais da emissora, como o Criança Esperança e outros de fim de ano. Altério espera que a casa, em plena atividade, realize cerca de 12 shows mensais e que o Credicard Hall tenha o retorno do dinheiro investido (cerca de US$ 34 milhões) em sua construção em cinco anos.

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