Show de improvisos
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quinta-feira, 18 de julho de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Hoje tem ''Noite de Jazz'' na cidade. A celebração do improviso será comandada por um quinteto carioca, liderado pelo saxofonista Idriss Boudrioua, em um dos concertos mais aguardados do 22º Festival de Música de Londrina.
A apresentação começa às 21 horas no Londrina Country Club. Bossa Nova, bebop e latin jazz são algumas das variações musicais que compõem o repertório do grupo. Boudrioua é francês, mas está radicado no Brasil desde 1982.
No palco, ele terá a companhia de Alexandre Carvalho (guitarra), José Santa Roza (contrabaixo), Xande Figueiredo (bateria) e Marcos Nimrichter (piano). Com exceção deste último, que subtitui a Dario Galante, os demais fazem parte do núcleo ''mais ou menos'' estável da formação.
''Mais ou menos'' porque todos desenvolvem trabalhos paralelos, desfalcando o conjunto em uma ocasião ou outra. O programa do concerto de hoje traz três composições de Boudrioua (''Playing for Canuto'', ''Solidão'' e ''Pour Guilherme''), além de músicas de Tom Jobim (''Triste''), Ion Muniz (''Arrocho na Boca''), Horace Silver (''Nica's Dream''), Ray Noble (''Cherokee''), Jim Van Heuzen (''Here's that rainy Day'') e Johnny Mercer/Victor Schertzinger (''I Remember You'').
O saxofonista conta que ''Playing for Canuto'', uma das composições selecionadas, é inédita em disco. Estará em seu próximo CD, o quinto álbum-solo de sua carreira. ''Não sei definir a música que faço. Tem jazz puro, bossa cantada, samba jazz. Talvez seja jazz-bossa, não sei'' desconversa.
Boudrioua já tocou em jans sessions com Chet Baker e Bob Mover. Já foi escalado duas vezes para o Free Jazz Festival. Já integrou grupos de Marcos Valle, João Donato, Ed Lincoln, Luiz Eça e João Carlos Assis Brasil. Já acompanhou Tom Jobim, Djavan, Johnny Alf, Rosa Passos, Fátima Guedes, Leny Andrade, Célia Vaz e Toninho Horta.
É um dos componentes do Saxophonia, um quarteto de saxofones formado ainda por Renato Buscacio (sax-alto), Fernando Trocado (sax-tenor) e Sueli Faria (sax-barítono) três de seus ex-alunos. O grupo acaba de lançar seu primeiro CD, cujas gravações incluíram participações do também saxofonista Ion Muniz e do percussionista Don Chacal. ''É um grupo de choros, samba e jazz'' conta.
Na formação que se apresenta hoje no Festival, o franco-brasileiro não é o único a apresentar um currículo respeitável. Os demais também sustentam vasta experiência como músicos profissionais, tocando e gravando com artistas de renome como Djavan, João Bosco, Cássia Eller, Ângela Rô Rô, Elza Soares, Paulinho da Viola, Fernanda Abreu, João Nogueira, Jorge Ben Jor, Leila Pinheiro, Martinho da Vila, Edu Lobo e Ed Motta.
No Rio de Janeiro, o grupo toca há dois anos, todas às quintas-feiras, no Drink Café um quiosque localizado no Parque dos Patinhos, na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas. O baterista Alexandre Figueiredo observa que, nos últimos três anos, houve um ''crescimento da cena jazzística'' na cidade. ''As coisas melhoraram com a abertura de espaço nos bares e casas noturnas, e com as séries de shows promovidas pelo Sesc'' salienta.
Além do quinteto, ele integra os grupos Trato a Três e Pagode Jazz Sardinha's Club. Para o baterista, eventos como o Festival de Música de Londrina propiciam uma oportunidade única para os músicos locais. ''Quando a cena é pequena, não há muita exigência'' explica. ''O sujeito não lê cifra, toca de ouvido, sobe no palco e acha que toca bem. Mas não toca. Percebi isso esta semana num concerto. Vi que tem gente aqui que deveria estar numa oficina, mas não está por causa da soberba. As pessoas têm referências, mas falta técnica e concorrência. E é isso que elas encontram num festival como esse, quando podem trocar idéias com músicos mais experientes e de alto nível''.
Boudrioua prefere destacar a ''convivência'' como o ponto mais positivo dos festivais. ''A gente sai da aula e é assediado pelos alunos. Isso é bom, porque quebra a idolatria. Acho que nossa missão não é apenas ensinar notas, harmonias e ritmos. Mas mostrar também que somos todos iguais, que também temos dúvidas e dificuldades'' diz. O show do quinteto é um dos últimos da 22 edição do Festival, que acaba amanhã com os concertos da Big Band Consórcio União e da Orquestra de MPB formada durante o evento.


