Show com suingue de sobra
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quinta-feira, 11 de julho de 2002
Antônio Mariano Júnio<br> Reportagem Local 
Quer for, será testemunha de um reecontro memorável de dois dos maiores ícones da MPB. No palco, Elza Soares e Miltinho vão reviver a dupla que arrancou aplausos, cativou fãs e rendeu quatro discos de sucessos na década de 60. Trata-se do show ''Na Cadência do Samba'', que acontece hoje, às 20h30, no recinto de Shows José Garcia Molina, na Sociedade Rural do Paraná, em Londrina. Mais um evento musical de peso promovido pela Teixeira & Holzmann Empreendimentos Imobiliários, dentro do já consagrado projeto ''Royal Golf in Concert''. Elza e Miltinho vão cantar para um público seleto, já que o espetáculo é só para convidados especiais.
A noite promete. Quem entra rasgando a cena é Elza Soares com toda sua versatilidade vocal para interpretar ''Ame'' (Paulinho da Viola), ''Ziriguidum'' (Luis Bittencourt - Jadir Castro), ''País Tropical '' (Jorge Benjor), ''Chiclete com Banana'' (Gordurinha), entre outras. Do novo disco aliás, o sensacional ''Do Cóccix até o Pescoço'' , foram extraídas ''Bambino'' (choro de Ernesto Nazareth com letra de Zé Miguel Wisnick) e ''Façamos'' (versão de Cole Porter feita por Carlos Rennó), canção de abertura da novela ''Desejos de Mulher''. Para acompanhá-la, os músicos José Paulo Becker (violão), Humberto Araujo (sax e flauta), Edson Menezes (baixo) e Carlos César (bateria e percussão).
Miltinho vem no segundo bloco cantando alguns de seus sucessos, acompanhado pelo violonista Mirabeau, como ''Meu Nome é Ninguém'', Canção da Manhã Feliz'', ''Nossos Momentos (todas de Haroldo Barbosa e Luís Reis), ''Lembranças'' (Raul Sampaio- Benil Santos), ''Poema do Adeus'' (Jair Amorim/ Evaldo Gouveia). O grande sucesso, ''Mulher de 30'' (Luís Antônio), incluído no primeiro disco-solo (em 1957) não poderia faltar.
Agora, o encontro dos dois é o que vai dar o que falar. No entanto o repertório está guardado a sete chaves. Mas podem ter certeza de uma coisa: as cadeiras espalhadas pelo salão certamente vão se agitar. ''Somos essencialmente sambistas, mas em qualquer estilo nos saímos muito bem'', atesta Miltinho com propriedade. ''A gente se respeita muito no palco. Não tem essa de um querer roubar a cena do outro'', diz Elza Soares.
Voltemos ao tempo para entender um pouco a trajetória da dupla. Em meados da década de 60, Elza fazia parte do elenco da Odeon. Belo dia, o diretor da gravadora, Milton Miranda, propôs a ela que fizesse um trabalho com Miltinho, que naquela altura também era contratado. A cantora não pensou duas vezes: aceitou de pronto. ''O entrosamento foi na hora'', relembra. A parceria rendeu quatro discos, lançados entre 67 e 69, todos nominados ''Elza, Miltinho e Samba''. Era o sambalanço, o samba de teleco-teco ganhando dois importantes avais.
Esgotada a fórmula, cada um foi cuidar de sua própria carreira. Vez ou outra, em clima de revival, juntavam-se para cantar. A última vez aconteceu em 98 quando Elza recebeu o prêmio Sharp de melhor cantora de samba. Na oportunidade, ela e Miltinho juntaram o balanço para render tributo a Jackson do Pandeiro, o homenageado do prêmio. Foram aplaudidos de pé. ''Miltinho é o rei do suingue. Além de um grande cantor é também uma pessoa saudável e maravilhosa'', afirma Elza.
Miltinho também não fica atrás nos elogios à amiga de longa data. ''Se ela diz que sou o rei do suingue, ela só pode ser a rainha. Ela é uma fera. Ainda está para nascer uma cantora que canta e divide como ela. A comadre é a Ella Fitzgerald do samba'', diz ele. Atualmente, Elza está a todo vapor divulgando o 26º disco-solo (sem contar os compactos simples e duplos), ''Do Cóccix até o Pescoço'', um dos mais marcantes de sua discografia. Que poderá, inclusive, ser comprado nas bancas de revistas. A imensa Elza, que como ninguém sabe como dar a volta por cima, ainda reina absoluta como a intérprete brasileira de maiores recursos vocais. Maravilhosa, é o mínimo que se pode dizer dela.
Miltinho também continua com a corda toda. Seu mais recente trabalho de Miltinho data de 1998, quando gravou um disco em que cantava em dueto com grandes nomes da MPB. Pelo contrato, com a gravadora Sony, era para ele registrar mais um disco. ''Não houve divulgação e rescidimos o contrato'', conta. Bem-humorado e com o vozeirão ainda firme e forte, Miltinho vai prosseguindo ciente de que já escreveu, há muito, o seu nome entre os maiorais da história da Música Popular Brasileira.
SERVIÇO:
Na Cadência do Samba, show com Elza Soares e Miltinho. Hoje, às 20h30, no Recinto José Garcia Molina da Sociedade Rural do Paraná, em Londrina. Promoção: Teixeira & Holzamnn Empreendimentos Imobiliários dentro do projeto ''Royal Golf In Concert''. O espetáculo é apenas para convidados especiais.


