Ano após ano, os admiradores londrinenses de Elis Regina dão uma surra na cantilena sobre a falta de memória dos brasileiros. Há uma década e meia, a obra da mais intensa das cantoras brasileiras se mantém viva na cidade, homenageada periodicamente com shows na passagem da data de sua morte, ocorrida em 19 de janeiro de 1982.
O bar Valentino tem sido o guardião dos tributos. Lá, hoje à noite, a cantora e compositora Joyce Cândido faz o último de uma série de três shows realizados este mês para lembrar o quanto Elis faz falta e o quanto as canções que deixou gravadas merecem o culto de gerações. Depois de Sabrina Vargas e Indayana Oliveira, é a vez de Joyce acolher o repertório daquela que é uma de suas fontes de inspiração.
O show começa às 22 horas. No palco, ela terá a companhia dos músicos Alexandre Pivato (violão e guitarra), Hélio Marcos (contrabaixo), Leonardo Cacione (bateria) e Paulo Siqueira (flauta e sax), além das participações especiais de Antonella Franco ao piano e Wilson Soler no cavaquinho. O espetáculo tem roteiro e direção do jornalista Renato Forin Jr., que atualmente prepara um livro-reportagem sobre o show ''Rosa-dos-Ventos'', estrelado pela cantora Maria Bethânia em 1971.
A iniciativa de convidá-lo tem a ver com seu jeito de trabalhar. ''Sempre busco uma temática, uma concepção, uma idéia. Não gosto de montar shows com músicas jogadas'' - explica Joyce. Segundo ela, a pesquisa de repertório rendeu blocos temáticos apresentando canções sem ordem cronológica, mas divididas de acordo com as ''pautas'' que cercaram a produção da artista.
Há, por exemplo, sequências de clássicos e de Bossa Nova. Há também sambas com letras de cunho social, composições de inclinação romântica e algumas músicas que ficaram marcadas por ''lançarem'' jovens compositores. ''A equipe de produção da Rádio Universidade FM me ajudou muito durante a pesquisa'' - conta Joyce.
O painel de canções escolhidas inclui ''Como os Nossos Pais'' (Belchior), ''Arrastão'' (Edu Lobo/Vinicius de Moraes), ''Maria Maria'' (Milton Nascimento), ''Saudosa Maloca'' (Adoniran Barbosa), ''Águas de Março'' (Tom Jobim), ''Atrás da Porta'' (Chico Buarque), ''Nega do Cabelo Duro'' (Rubens Soares/David Nasser) e ''Eu, hein Rosa?'' (João Nogueira).
Para Joyce, Elis destacou-se especialmente pela versatilidade, interpretação e arrojo de repertório. ''Sua obra é sofisticada, maravilhosa. Não foi fácil escolher as músicas, dá vontade de cantar todas '' - salienta. Durante o espetáculo de hoje, serão inseridos dois textos - um lido por Elis em seu último show, ''Trem Azul'', e outro extraído do balé ''Maria Maria'', musicado por Milton Nascimento em 1976.
No cenário, um telão exibirá imagens da participação de Elis em festivais. ''Vamos dar uma estilizada no figurino. Vou, inclusive, usar uma roupa parecida com aquela que ela usou no Festival de Montreux (Suiça)'' - revela a cantora, que participa pelo segundo ano consecutivo da homenagem. Após o show de hoje, Joyce segue divulgando seu recém-lançado CD ''Panapaná'', o primeiro de sua carreira.
A cartela de intenções inclui shows dedicados a Cartola, Noel Rosa e outros compositores. A novidade é que, de agora em diante, ela quer embutir faixas de seu CD na ''segunda parte'' das apresentações. Planeja também realizar shows pelo circuito Sesc, shows em cidades da região e shows no circuito de bares do eixo Rio-SP. Ambiciona ainda divulgar o disco no exterior, além de gravar show para um DVD ao vivo.

Serviço:
- Show em homenagem a Elis Regina com a cantora Joyce Cândido. Hoje, às 22 horas. Local: Bar Valentino (Av. Faria Lima, 486), em Londrina. Couvert: R$ 5,00. Mais informações: Fone (43) 33480791 e www.barvalentino.com.br

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