SHOW - Talento a toda prova
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sexta-feira, 13 de maio de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Os nomes saem da boca do baterista Paganini com familiaridade: Andy Gonzalez, Steve Smith, Bob Quaranta, Ian Froman, Lincoln Goines.... Talvez boa parte dos leitores desconheça tais sujeitos, mas para músicos ligados ao jazz soam bastante familiares.
Foi com eles que o londrinene tocou ou aperfeiçoou suas batidas durante sua recente temporada de três meses em Nova York, onde desembarcou com uma bolsa de estudos no The Drummers Collective, uma conceituada escola de ritmo de Manhattan.
A bolsa caiu-lhe nas mãos como prêmio por ter vencido, há pouco mais de dois anos, o Batuka International Drum Festival concurso nacional de caça-talentos organizado por Vera Figueiredo, baterista do programa Altas Horas, apresentado por Serginho Groisman na Rede Globo. Agora, de volta a Londrina, o artista é atração em dois shows deste final de semana na cidade.
Hoje, às 20 horas, ele se apresenta com convidados na Casa da Capoeira Expressiva. Amanhã, às 21h30, vai com seu grupo Londrina Jazz Trio ao Bar Valentino. O show de logo mais contará com a participação dos maringaenses Marcelo Bastos (saxofone) e Anderson Kaufman (contrabaixo), além dos músicos locais Jairo Cavalcânti (guitarra), Murilo Barbosa (piano) e Gilberto de Queiroz (baixo) estes dois últimos, do Londrina Jazz Trio.
Na primeira parte, vou fazer uma performance-solo e mostrar algumas coisas da parte técnica que pude aperfeiçoar lá fora. Em seguida, toco com os convidados anuncia ele. Entre as execuções está a peça Berimbauria de Baterimbauera, composição própria em que funde as sonoridades da bateria e do berimbau. O restante do repertório inclui temas de jazz, fusion, bossa nova e ritmos latinos num vasto leque que vai de Miles Davis a Hermeto Pascoal.
Da breve estadia no exterior, Paganini trouxe na bagagem a visão de seriedade e profissionalismo com que os artistas de lá se movimentam pelas casas de shows. Muitos bares badalados são do tamanho ou até menores do que o Valentino. Os músicos tocam das 23 horas até por volta de 2 da manhã, com exceção de algumas casas de jazz que ficam abertas até 4 horas. É bem diferente de Londrina, onde o som é proibido depois das 23 horas observa.
Paganini argumenta que a música de boa qualidade está levando a culpa no cartório por causa das bandas de garagem. Não tenha nada contra, mas são elas que tocam em volume alto diz. Ele critica também a omissão dos proprietários de casas com música ao vivo que não instalam revestimento acústico em seus endereços.
Se continuar assim, os músicos de MPB ou de música instrumental ficarão restritos às quatro paredes dando aulas para sobreviver. Ou terão que ir embora daqui lamenta. Paganini é professor de bateria na Comunidade Nova Aliança. Toca há 19 anos na cidade. Foi introduzido à música pelo pai já falecido, um famoso pianista da noite londrinense de quem herdou o nome e que tocou ao lado Nelson Gonçalves, Eliana Pittman e Sivuca.
A experiência foi adquirida ao longo dos anos, especialmente ao passar pela Orquestra Sinfônica da UEL. A bagagem lhe permitiu aprimorar a técnica do instrumento, além de proporcionar um arsenal de toques e grooves dos mais diversos. Como pesquisador, criou um método próprio de ensinar bateria, que divulgou através de um CD-aula e um vídeo-aula. Mais cancha e informações foram adquiridas com a recente temporada nos Estados Unidos, onde encontrou vários amigos músicos brasileiros.
Com um londrinense, Mizael, tocou na abertura de um show de Jorge Benjor. Toquei também com o Arthur Maia (baixista de Gilberto Gil), com o filho do Jaco Pastorius e com o Andy Gonzalez na orquestra do Paquito Rivera. Toquei ainda na Birdland, uma casa antiga por onde já passaram nomes como Miles Davies e Dizzy Gillespie. Participei também de jams sessions com vários músicos de jazz de Manhattan, Brooklyn e do Harlem conta.
Segundo ele, a música brasileira é adorada pelos instrumentistas norte-americanos. Eles gostam muito de Tom Jobim e especialmente de Hermeto Pascoal, pela dificuldade de execução de suas peças. Gostam muito de samba, do molho, do balanço, da cozinha rítmica, da síncope brasileira. Tocam nossa música com frequência, mas nunca esquecem de suas raízes salienta.
Na escola, Paganini frequentou aulas de especialização em jazz contemporâneo nas quais foi aluno de Ian Froman (do grupo Metalwood), Steve Smith (baterista que já tocou com Jean Luc Ponty, Mariah Carey e na banda Journey) e Bob Quaranta (pianista da Ed Palermo Big Band). Ainda entusiasmado com o que viu e ouviu em Nova York, o londrinense engatilha projetos para os próximos meses.
Além de correr atrás de captação de verbas para concluir as gravações do CD do Londrina Jazz Trio, planeja ministrar uma série de workshops e montar um site pessoal.


