Larga tudo, pára tudo e vai ver e ouvir Ângela Rô Rô hoje, num dos shows mais esperados do Cabaré do Filo. Sim, ela está entre nós. Finalmente! Quais os bons adjetivos para lhe ofertar? Visceral? Já se tornou lugar-comum. Irreverente? Pouco acrescenta. Maravilhosa? É chover no molhado. Avassaladora? É, talvez seja uma forma eficiente e carinhosa de adornar a arte dessa mulher que na virada do milênio resolveu sair do ''calypso nervoso'' e desafiar a vida como a vida é: sóbria. ''A arte me ajudou a dar essa virada'', diz. Que bom! Bom mesmo é presenciar Ângela Rô Rô ao vivo e em cores fazendo um apanhado representativo dos nove álbuns lançados em 26 anos de carreira discográfica, ao menos.
Ela sabe que não podem faltar os clássicos o público não a perdoaria e por isso o vozeirão vai cantar ''Amor, meu grande amor'', ''Simples carinho'', ''Fogueira'' (uma obra-prima da música brasileira), releituras como ''All of me'', ''Gota D'água'', canções do último disco, lançado há cinco anos, como ''Acertei no milênio'', além de ''Querem nos matar'', uma de suas parcerias com Sergio Bandeyra (''ícone do underground brasileiro''). ''Vou fazer um show bem teatral'', avisa. A dramaticidade poderá instalar-se em especial na interpretação de ''Ne me quite pas'', emblemática canção francesa regravada por ela em 1993.
No palco, Ângela Rô Rô estará acompanhada dos teclados de Ricardo Mac Cord, com quem está comemorando 15 anos de parceria musical. Entre uma música e outra, prováveis comentários e, tiradas espirituosas algumas sacadas de supetão entre um gole ou outro de água. Isso mesmo, água. Há cinco anos dona Ângela Maria Diniz Gonçalves, 55 anos, largou o que costumava chamar de ''kit suicídio''. Ou seja, álcool, drogas, cigarros...
Com uma readequação alimentar e um sonoro não ao sedentarismo, perdeu muitos e muitos e muitos quilos, ganhou qualidade de vida e, segundo a própria, um raciocínio mais solícito. ''Não sou santa nem iluminada, mas não faço mais agressões ao corpo'', informa. Pois é! Bacana ouvir Rô Rô falar do bem-estar fisíco e mental adquirido sem ar professoral ou coisa assim. Mudou, sente-se melhor e pronto. E aliado a isso, apelou para alguns retoques corporais. E ainda faz graça dos tecidos adiposos perdidos ou retirados: ''Dei uma bela raspada no pescoço. Devem ter feito mil tamborins para o carnaval carioca'', provoca.''A sátira e a insolência vão estar presentes sempre na minha vida. Sou anárquica, mas se houver hierarquia quero estar no topo dela'', complementa. Então tá!
Claro, ela planeja a volta aos estúdios de gravação. Diz ter material suficiente para dois álbuns. ''Tenho vinte e tantas músicas compostas. Estou espalhando demos aqui e ali'', avisa. Enquanto aguarda respostas, vai tocando o seu ''Escândalo'', programa que apresenta há quase um ano no Canal Brasil, onde fala de música com músicos. E está gostando pra caramba da experiência de apresentadora. ''Quando algo dá certo é sinal de que todos, desde o pessoal da cozinha até os de estúdios, têm uma cota nesse acerto. O astral é muito interessante, muito vivencial. Não tem presepada'', comenta.
Agora pára e pensa: essa mulher não é um espetáculo?

Serviço
- Show com a cantora e compositora Ângela Rô Rô, que estará acompanhada do tecladista Ricardo Mac Cord. Hoje, a partir das 22 horas, no Cabaré do Filo (Avenida Celso Garcia Cid, 1.342, entrada pela rua São Mateus). Ingressos a R$ 20,00 (estudantes e aposentados pagam R$ 5,00). A noitada no Cabaré continua com show do cantor e compositor Ivo Pessoa, recém-contratado da gravadora Som Livre.

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