Curitiba - Músicas que fizeram sucesso nas últimas duas décadas e ainda outras inéditas que devem integrar um disco a ser lançado no ano que vem fazem parte do repertório do único show que o Boca Livre faz em Curitiba, hoje à noite. Prestes a completar 25 anos de carreira, o grupo está em turnê pelo Brasil, depois de retornar de uma temporada de apresentações nos Estados Unidos e México.
Formado em 1978, no Rio de Janeiro, o grupo era composto inicialmente por Maurício Maestro, Zé Renato, Cláudio Nucci e David Tygel, estes dois substituídos cinco anos depois por Fernando Gama e Lourenço Baeta. A novidade é que Nucci, que deixou o grupo para investir em projetos pessoais, volta ao Boca Livre 20 anos depois.
O retorno de Nucci foi bem comemorado. Quando o músico voltou ao Boca Livre, o quarteto gravou uma participação no CD ''Mundo'', do compositor panamenho Rubéns Bladés. O disco foi o vencedor na categoria world music do último Grammy e ainda está rendendo frutos para o grupo carioca. ''A nossa turnê no exterior foi por convite do Bladés, agora estamos pensando em gravar um disco só com músicas dele, mas ainda não tem nada concreto'', contou um dos integrantes do grupo, Lourenço Baeta, em entrevista, por telefone, à Folha.
Além do novo disco com músicas do compositor que tem conquistado a crítica americana, o Boca Livre quer lançar um disco com as músicas novas que já integram o repertório do show, como uma versão para a canção ''Mais feliz'', de Cazuza, Dé e Bebel Gilberto, já interpretada pela gaúcha Adriana Calcanhoto, e ''Valsa de uma cidade'', composta nos anos 50 por Ismael Netto e Antônio Maria. ''Fizemos novos arranjos para a 'Valsa', mais adequada ao Rio de Janeiro atual'', conta.
Falar em atualidade, aliás, é lembrar que desde que foi formado, há 25 anos, o Boca Livre investe num determinado tipo de música e arranjos, sem muitas ousadias. Para Baeta, que está há 20 anos no grupo, isso tem uma explicação. ''Mudar por mudar, para seguir uma onda é contraproducente para o artista. Ao longo desse tempo, fazemos as músicas que gostamos. Podemos não estar na grande mídia, mas estamos na estrada e temos um público cativo'', diz.
Em 25 anos de carreira, o Boca Livre já gravou mais de uma dezena de discos, além de participações em trabalhos de outros artistas. O mais saliente, no entanto, continua sendo o primeiro disco, intitulado ''Boca Livre'' e que foi lançado de forma independente. O álbum, que incluiu, entre outras músicas, sucessos como ''Toada'' (Zé Renato, Cláudio Nucci e Juca Filho) e ''Quem tem a viola'' (Zé Renato, Cláudio Nucci e Xico Chaves) vendeu milhares de cópias.
Depois do disco de estréia, o grupo fez algumas incursões por gravadoras diferentes e outros projetos importantes, como a participação, em 1993, do disco ''Deseo'', de Jon Anderson (vocalista do grupo inglês Yes), lançado no ano seguinte. Para lançar os outros dois projetos que estão em pauta, o Boca Livre ainda não tem contrato com gravadora. ''Devemos começar a pensar nisso só no ano que vem'', adianta Baeta. Ele também revela que o grupo pretende gravar ainda um outro disco, em parceria com o 14 Bis, também sem lançamento agendado.

Serviço:
- Boca Livre, hoje às 20h30 no Teatro do Sesc (rua Visconde do Rio Branco, 969). Ingressos a R$ 17 e R$ 15. Informações pelo telefone (0xx41) 322-6500.

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