SHOW - Polêmica e rock em Floripa
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terça-feira, 26 de abril de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A polêmica deu o tom na seletiva de Florianópolis do festival Claro Q É Rock, realizada na semana passada. A vencedora foi a banda catarinense Spiegel, que, durante sua apresentação, foi vaiada e respondeu com xingamentos, sob uma chuva de garrafas d'água e latinhas de cerveja. O júri, composto por Gastão Moreira (apresentador de televisão e ex-VJ da MTV), Luiz Cristiano (jornalista do Jornal da Notícia), Dorva Rezende (jornalista do Diário Catarinense), Wagner Vianna e Tomás Bastos (ambos do estúdio carioca Toca do Bandido), se dividiu entre o Spiegel e o Liss, banda de Rio do Sul (SC). O desempate foi definido pela contagem de votos enviados por mensagens de celular.
Com a vitória, o Spiegel ganhou R$ 15 mil em equipamentos e o direito de participar do Claro Q É Rock, que será realizado em São Paulo e no Rio de Janeiro em setembro. Ao final das seletivas, que estão sendo fechadas com shows da banda inglesa Placebo, oito bandas terão se classificado para o festival, onde haverá outra disputa. A vencedora nesta última etapa gravará um CD e dois videoclipes custeados pela Claro.
As bandas curitibanas Terminal Guadalupe e Los DiaÀos concorreram na seletiva de Florianópolis. Em suas apresentações, ambas tiveram boa recepção do público - o pop rock com influências oitentistas do Terminal despertou pequenos corinhos e o entusiasmo com que a platéia recebeu a inclassificável mistura de hardcore e jazz dos DiaÀos foi tão grande que muita gente chegou a pensar que o quarteto paranaense sairia vencedor da seletiva. Mesmo assim, foi premiado o som mais convencional do Spiegel, que mescla rap, reggae e som pesado e soa como cópia do Charlie Brown Jr.
Os integrantes do Terminal Guadalupe e do Los DiaÀos manifestaram ''estranhamento'' pelo resultado, mas não fizeram muitas críticas. ''Antes dos shows, um dos jurados me disse que eles estavam atrás de bandas que não soassem como mais do mesmo e que soubessem se apresentar diante de um grande público. E o resultado do concurso foi exatamente o contrário'', comentou RHS, vocalista e trompetista dos DiaÀos.
''Independente da música da banda vencedora e da atitude de seus integrantes no palco, eles defenderam seu som e foram com o show até o fim, não amarelaram. Talvez os jurados tenham levado isso em conta. E talvez estivessem atrás de uma banda com o perfil do Spiegel, mais próximo do rock que faz sucesso no Brasil hoje'', ponderou Dary Júnior, vocalista do Terminal Guadalupe.
As duas bandas comemoraram a divulgação proporcionada pela participação na seletiva. ''A platéia gostou da gente muito mais do que eu imaginava. Nunca tínhamos tocado para tantas pessoas e com uma estrutura tão boa'', comemorou RHS. ''O público foi muito receptivo e, excetuando-se o caso do Spiegel, aplaudiu todas as bandas. Acho que a platéia entendeu a proposta da seletiva, de apresentar grupos novos. Foi nosso melhor show'', disse Rubens K, baixista do Terminal Guadalupe. Para os próximos meses, as duas bandas planejam fazer mais shows fora de Curitiba e lançar novos discos.
O Placebo encerrou a seletiva de Florianópolis com um show cheio de hits: ''Special K'', ''Pure Morning'', ''The Bitter End'', ''Taste In Men'', estava tudo lá (ou quase: faltou ''You Don't Care About Us''), choradeira ora envelopada em frenesi punk rock, ora em andamentos arrastados. Uma apresentação competente, divertida e profissional - mas claro que você tem que ser indie demais para engolir certas coisas.
O jornalista viajou para Florianópolis a convite da organização do evento.


