SHOW - O som da denúncia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de maio de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Mais de uma década se passou desde que o grupo O Rappa deu seus primeiros passos. A alavanca para se formar um dos principais grupos de música brasileira aconteceu assim: quatro músicos acompanharam o cantor Papa Winnie em sua passagem pelo Brasil. Depois da experiência queriam continuar, mas havia um problema: nenhum deles cantava. Foi então que veio a idéia de colocar um anúncio no jornal procurando um vocalista. Centenas de candidatos depois, o grupo escolheu Marcelo Falcão. Nascia então O Rappa.
Desde essa época a banda foi se firmando como intérprete e criadora de músicas que se inspiram na realidade das favelas cariocas, na violência e na insegurança inerente. Era a bandidagem sendo mostrada de uma forma deslavada. Mas os meninos também sabiam cantar baladas, por isso mesmo ganharam um público eclético. Há alguns anos, um dos integrantes da banda, Marcelo Yucca foi vítima da violência que o grupo denunciava. Isto mudaria a trajetória da banda, que não perdeu, no entanto, o tino da observação e da denúncia. Parte dessa trajetória, será mostrada hoje, em única apresentação que a banda faz em Curitiba. O repertório base é o álbum mais recente: ''O silêncio que precede o esporro''.
O show inaugura a A1 Music Hall. A casa fica no mesmo local em que funcionava o antigo Moinho São Roque, e abriu suas portas para convidados na última segunda-feira, com pocket show de Toni Garrido. Não foi exatamente uma abertura em grande estilo, já que o evento estava marcado para às 20 horas e às 20h30 uma fila de convidados se formava em frente à casa, que ainda estava fechada. Isso embaixo de uma garoa fina e um frio tipicamente curitibano. Haja paciência. Mas os fãs do Rappa devem ser mais resignados. Eles mesmos pregam uma postura menos radical em relação às mazelas da vida e utilizam a música como arma. E depois, um show da banda sempre vale a pena, com espera ou não.
Vale até mesmo pagar o preço do ingresso: R$ 80,00 para a área vip da casa (limitada a 600 lugares) e R$ 60,00 na área comum. Quem levar um quilo de alimento não perecível paga meia-entrada para qualquer um dos lugares. Estudantes também, mas é preciso ter em mãos um documento que comprove essa condição e que será solicitado na entrada, mesmo com o ingresso já comprado, segundo a organização.
O Rappa deve mostrar essencialmente ''O silêncio que precede o esporro'', mas músicas que fizeram a estrada da banda, como ''Vapor Barato'', releitura para a já clássica letra de Wally Salomão e ''Minha Alma'', não devem faltar na lista. (Colaborou Ana Clara Garmendia).
Serviço:
- Show com O Rappa, hoje, a partir das 22 horas na rua Desembargador Westphalen, 4000, Parolin. Ingressos a R$ 80,00 e R$ 60,00. Estudantes e quem levar um quilo de alimento não perecível pagam meia-entrada.


