Boa parte da sonoridade de todas as terras do mundo vai ecoar nesse final de semana em Londrina. Entre harmonias de flautas diversas, violões, viola, violino, instrumentos percussivos e vocais étnicos, o grupo paranaense Terra Sonora faz o convite a uma viagem musical que passeia livremente pelos continentes, nos shows de hoje e amanhã, patrocinados pela Vectra Construtora.
Será a terceira vinda do grupo a Londrina. Dessa vez, o enfoque é apresentar ao público um repertório para a gravação do quarto CD. ''Além dos temas diferentes dos discos anteriores, a nossa formação também é nova, com mais três integrantes. Isso possibilitou a ampliação dos timbres vocais e intrumentais'', disse Plínio Silva, diretor artístico do grupo.
Com músicas absorvidas das Américas, Europa, Ásia, África e Oceania, o coordenador, que também executa diversos instrumentos, afirma que é um colecionador voraz de discos inéditos, fator fundamental para montagem do repertório: ''Tenho acesso a gravações originais de diversas partes do mundo, com temas de domínio público. Faço a pesquisa e depois transcrevo essa linha original e monto arranjos para trabalharmos em grupo''.
Prova de seu vasto acervo está no mapa-múndi que Plínio tem afixado na parede de sua casa, no qual alfinetes indicam os diversos países que já foram sorvidos e interpretados através das músicas do Terra Sonora. Ao todo, segundo ele, são 500 temas transcritos que, aos poucos, serão registrados em CDs não apenas do grupo, como também pelo grupo étnico Baiaka, formado por Plínio.
No rol de instrumentos novos, destaque para o grego bazuki, alaúde árabe e dedjeridu, originário dos aborígenes australianos. ''Durante o show, fazemos alguns comentários e, agora, vamos apresentar o canto bifônico - emissão de duas vozes simultâneas por uma só pessoa - que era muito utilizado na Ásia Central. É super interessante, pois é uma coisa rara'', refletiu. Para ele, será uma grande oportunidade para os ouvintes terem uma lijeira noção das belíssimas músicas criadas mundo afora.
Pautados na miscelânea cultural, viola e percussões ganham novos contextos quando inseridos em temas da Hungria, Grécia ou Irlanda. No mesmo trajeto, outros elementos são inseridos na sonoridade brasileira. ''Nesses dois shows estaremos apresentando cerca de 20 temas, sendo um deles brasileiro. As pessoas, às vezes, nos questionam por quê não exploramos mais músicas daqui. A minha idéia é a diferenciação geográfica. Tem muito grupo fazendo música brasileira com competência'', enfatizou.
O Terra Sonora surgiu em 1994, em Curitiba (PR). É composto por professores da Escola de Música e Belas Artes do Paraná, Faculdade de Artes do Paraná e Conservatório de Música Popular Brasileira. Na formação atual estão Carla Grisolia Zago (violino), Giampiero Pilatti (flauta transverssal e percussão), Daniel Farah (diversos), Adriano Mottin (flautas diversas, krum-hor, percussão e concertina), Talita Kuroda (vocal), Rogério Gulin (viola caipira e violão), Sérgio Silvestri (diversos), Luciano Madalozzo (percussão) e Plínio Silva (flauta doce, krum-horn, sheng, metalone, harmônico e percussão).

Serviço
- Show com o grupo Terra Sonora. Hoje e amanhã, às 20h30, no Crystal Palace Hotel (Rua Quintino Bocaiúva, 15). Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00 (meia). Os ingressos para amanhã já estão esgotados. Mais informações pelo telefone (43) 3315-1515.

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