SHOW - O carisma de Manu Chao
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terça-feira, 22 de novembro de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O número três parece estar presente na carreira do músico franco-espanhol Manu Chao. Na única apresentação que ele fez em Curitiba, no último sábado, 3 mil pessoas compareceram no Curitiba Master Hall no show que durou três horas. O músico também está produzindo três novos discos, que devem ser lançados em breve. Ele falou sobre os trabalhos ainda inéditos no domingo, numa coletiva para a imprensa convocada às pressas. A idéia de chamar os jornalistas partiu do próprio Manu Chao. ''Essa é a primeira vez que toco em Curitiba e queria conhecer um pouco mais, falar com as pessoas'', justificou num portunhol bastante claro.
A intimidade com o idioma no Brasil é resultado das suas passagens cada vez mais frequentes pelo país. O músico conheceu o território verde-amarelo no início da década de 90. Desde essa época esteve várias vezes no Rio de Janeiro, onde morou, e também no nordeste. Nesse período ele teve um filho com uma brasileira, o que estreitou ainda mais os seus laços com o país. ''O Brasil é um continente. Quando mais eu vejo, mais eu percebo que ainda falta muito pra eu conhecer'', disse.
Quanto à influência que a música brasileira teve na sua carreira, Manu Chao brinca: ''Eu não sei se (a música nacional) reflete no que eu faço. Me dá um violão e vocês podem responder''. Bom-humor e inteligência parecem ser as características do músico, que rejeita o rótulo de ''politizado''. Quando elogiado por um dos participantes do bate-papo sobre a sua ligação com questões sociais, Manu Chao lembra que isso faz parte da sua criação, ''não podia ser diferente'', mas faz questão de ressaltar que a palavra ''politizado'' não integra as suas características. ''Essa palavra foi desvirtuada e depois eu não sei se eu sou assim. Eu sei para que fábrica mando meus CDs''.
E por falar em discos, Manu fala sobre os novos trabalhos que está produzindo: ''Eles estão sendo produzidos, ainda, não sei o que vai dar. Sei que um deles vai ser todo cantado em portunhol, mas ainda nem sei o nome'', conta. O segundo, já tem pelo menos o título e está quase todo pronto. ''Só falta gravar''. O disco, que vai se chamar ''O pior de La Rumba-Volume 1'' é resultado dos shows do músico e amigos na periferia de Barcelona, onde ele mora atualmente. Pode parecer estranho, mas segundo Manu, a rumba é a música do underground espanhol, aliada às batidas eletrônicas, é claro, numa roupagem para lá de contemporânea. ''A rumba é o flamenco de boteco'', define o músico.
E finalmente o terceiro disco. Este Manu Chao define como um ''irmão'' de ''Clandestino'' ou mais um disco ''tuti-fruti''. O trabalho vai ter músicas cantadas em inglês, espanhol e português, assim como ele já fez também em ''Esperanza''.
Músicas dos dois discos integraram o repertório do show de Manu Chao em Curitiba. Um show memorável, diga-se de passagem. Tanto pela qualidade e disposição impecável do músico (e da banda que o acompanhou), que estendeu o show por três horas quase ininterruptas, quanto pela receptividade do público. O único problema continua sendo o local em que essas boas atrações desembarcam em Curitiba. A casa de show Curitiba Master Hall recebe ótimas atrações, mas ainda não resolveu questões de estrutura, como banheiros adequados e ventilação. Uma pena.


