Ela é paulistana da gema, mas ninguém ousa contestar seu título de matriarca da música interiorana brasileira. Aos 80 anos, completados em março, Inezita Barroso parece ainda uma debutante no meio artístico tal o entusiasmo com que conduz a carreira.
A cantora é a principal atração musical deste fim de semana na região com o show de hoje, no Colégio Santo Antonio, em Rolândia. A apresentação, promovida pela Realiza Produtora em parceria com a Secretaria de Cultura do município, integra as comemorações do Dia das Mães (domingo).
Inezita sobe ao palco às 21 horas, após a abertura com duplas sertanejas locais. O evento inclui ainda a exposição fotográfica ''Mães de Nossa Cidade'', reunindo trabalhos de Nity Magalhães. A guardiã da música caipira de raiz interpretará seu vasto repertório popular e folclórico, com destaque para as inevitáveis ''Moda da Pinga'' (Laureano) e ''Lampião de Gás'' (Zica Bergami), seus maiores sucessos.
Com mais de 5 mil músicas gravadas, ela já lançou mais de 80 discos. Seu último álbum, ''Hoje Lembrando'', saiu dois anos atrás. Patrimônio nacional, Inezita é cantora de portentosos dotes vocais, de timbre grave e forte. Ao longo dos 52 anos de carreira, recebeu mais de 200 premiações. Um dos últimos troféus foi o Prêmio Sharp de 1997, que conquistou na categoria ''Melhor Cantora Regional''.
Como atriz, recebeu o Prêmio Saci pela atuação no longa ''Mulher de Verdade'', que Alberto Cavalcanti dirigiu em 1954. Na atual temporada, as celebrações se acumularam. Além da idade, ela está festejando duas décadas e meia do programa ''Viola Minha Viola'', que apresenta na TV Cultura (SP), com exibição em rede para todo o País.
A artista foi uma das pioneiras na televisão participando da transmissão inaugural da TV Tupi (canal 3). Diva da tradição, ela também desenvolve pesquisas na área de cultura popular. Durante 18 anos atuou como professora de Folclore Brasileiro e História da Música Popular Brasileira dando aulas no Conservatório Estadual de Pouso Alegre (MG), na Universidade de Mogi das Cruzes (SP) e na Universidade Capital (SP).
Periodicamente ainda é convidada para ministrar cursos sobre o assunto para a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e para secretarias municipais de Cultura do interior. ''O folclore é vivo, é mutante, e as mofificações ocorrem na poesia, nas letras, nos instrumentos. Então, se um cara fazia viola a canivete, lá no quintal da casa dele, a gente admite que compre uma viola maravilhosa, moderna, com um som aprimorado, né? Agora inadmissível são coisas que acontecem nesse terreno, que não têm limite. Eu soube que em Minas tem uma Folia de Reis que sai com gravador e o pessoal dublando atrás. É indecente demais pra mim'' diz ela em depoimento para o livro ''Música Caipira - Da Roça ao Rodeio'', de autoria de Rosa Nepomuceno e publicado pela editora 34.
A paixão pelas tradições populares nasceu na infância, durante as férias, quando deixava a capital paulista para passar semanas na fazenda dos tios-avós. Foi onde teve contato com as modas de violas dos colonos. O interesse pelos ritmos autênticos brasileiros foi estimulado também por um radinho de pilha que ganhou aos 6 anos e através do qual ouvia nomes como Dalva de Oliveira e Sílvio Caldas.
Começou a cantar e estudar violão e piano nessa mesma época. Tinha 13 anos quando, passando as férias na casa da avó no Rio de Janeiro, entrou sabe-se lá como, num cassino e viu ao vivo Carmem Miranda, Franciso Alves e Grande Otelo. Foi um dos episódios mais tocantes de sua adolescência. Daí em diante, decidiu que queria ser artista e começou a se apresentar em rádios e clubes.
Já casada, iniciou-se profissionalmente como cantora na Rádio Clube de Recife (PE), onde morava seu marido. Depois cantou sucessivamente nas rádios Bandeirantes, Nacional e Record. Na época, vale lembrar, os artistas assinavam contratos de exclusividade com as emissoras, que mantinham estúdios com auditórios sempre lotados de fãs.
Como atriz, estreou em 1951 no longa-metragem ''Ângela'', de Tom Payne e Abílio Pereira de Almeida, atuando ainda em outros sete filmes, todos rodados pela produtora Vera Cruz. Enveredou também pelo teatro participando de três espetáculos, entre eles ''Corinthians, Meu Amor'', de Idibal Piveta. Hoje longe da ribalta e das telonas, ela continua cantando como nunca, fiel ao estilo que criou há meio século.
O local de seu show em Rolândia é um ginásio poliesportivo, cujo ambiente será dividido hoje entre arquimbancadas (para 300 pessoas), quadra interna (com 1 mil assentos) e quadra externa (com 500 assentos). Os ingressos antecipados estão à venda a R$ 10,00.

Serviço:
- Hoje: Show de Inezita Barroso. Horário: 21 horas. Local: Ginásio Poliesportivo do Colégio Santo Antonio (Rua Monteiro Lobato esquina com a Avenida Presidente Bernardes), no Centro de Rolândia. Ingressos: R$ 10,00 (antecipados) e R$ 15,00 (na bilheteria). Pontos de venda: Banca do Roberto, A Baratinha, Conveniência Esquina da Matriz e Mega Som. Em Arapongas estão disponíveis na loja Valentim. Os organizadores alertam para que não se compre fora destes pontos, porque podem ser falsificados. Mais informações pelos fones: 3256-9406 ou 9134-1250.

mockup