SHOW - No ritmo de mestre Salu
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terça-feira, 20 de julho de 2004
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba Para aprender a fazer uma rabeca, o pernambucano Manoel Salustiano Soares utilizou um método nada convencional: comprou um instrumento, quebrou e montou outro semelhante. Isso há mais de 50 anos. Hoje Mestre Salu, como é conhecido, é um dos principais rabequeiros do País. Além de construir os próprios instrumentos, ele é um dos maiores responsáveis por manter viva a cultura popular brasileira. Com os ritmos da ciranda, coco, maracatu, caboclinho e outros folguedos gravou três discos, todos independentes e já esgotados. Antes de gravar o quarto disco que já tem repertório pronto faz turnê pelo Brasil dentro do Circuito Nacional de Música do Sesc, o Sonora Brasil Mundo Novo.
A turnê prevê shows em nove cidades paranaenses, entre elas a capital, no próximo sábado, e Maringá, no dia 29 de julho. Natural de Aliança, cidade da Zona da Mata de Pernambuco, Mestre Salu não chegou a se assustar com as baixas temperaturas do Estado, mas analisa sobre os shows que já fez em território paranaense: ''O povo é carente de conhecimento da cultura popular, mas a brincadeira é a mesma'', disse em entrevista à Folha2.
Aos 58 anos, Mestre Salu se orgulha de ter influenciado toda a geração mangue beat que começou a fazer sucesso após Chico Science. Antonio Nóbrega e outros jovens artistas que apóiam seus trabalhos na cultura nordestina foram alunos de Mestre Salu. Ex-cortador de cana, ele começou a tocar rabeca aos sete anos. Somente aos 18, porém, é que passou a viver da música e das brincadeiras populares. ''Aprendi a tocar com meu pai (João Salustiano, hoje com 86 anos) e hoje ensino todo mundo. Repassar esse conhecimento está sendo muito importante para a minha trajetória.''
O músico que completou 50 anos de carreira o ano passado já se apresentou em quase todo o Brasil, além de Cuba, Estados Unidos e França. ''Tudo tem seu tempo e agora o povo está vendo a cultura popular do nordeste com bons olhos'', analisa. Além de manter o coração e os conhecimentos abertos à geração de jovens músicos, Mestre Salu também repasssa para os filhos o que aprendeu nesse meio século de carreira com a rabeca. São 15 filhos (o mais novo com um ano e cinco meses), sendo que nove deles se revezam para acompanhar o pai nas turnês.
Na temporada promovida pelo Sesc ele é acompanhado pelo filho mais velho Manoelzinho Salustiano e de Pedro e Dinda Salustiano. Todos rabequeiros e dançarinos. Além dos filhos, acompanham Mestre Salu os músicos Paulo Henrique, Toni Braga e Edielson José.
No repertório dos shows, os labores (cantos de trabalho entoados pelos escravos e trabalhadores agrícolas); as cantigas de ninar, os aboios (cantos entoados para reunir a boiada); as incelenças (orações cantadas durante os velórios) e os cocos de trabalho no campo (entoados pelos colhedores e apanhadores de coco). O cavalo marinho, o caboclinho e o maracatu de baque solto também integram os repertórios.
Mestre Salu é o compositor da maioria das canções. São dele também as 16 músicas que vão integrar o próximo disco do Mestre Salu e grupo, intitulado ''A experiência da minha história'', a ser lançado no Carnaval de 2005.
Serviço:
- Shows com Mestre Salustiano e grupo, dentro do Circuito Nacional de Música do Sesc Sonora Brasil Mundo Novo. Hoje em Guarapuava, às 20h30. Amanhã em Ponta Grossa, às 20 horas. Sexta-feira em Paranaguá, às 20 horas e sábado em Curitiba, às 20h30. Todas as apresentações acontecem nos teatros do Sesc, exceto em Maringá, no dia 29, cuja apresentação acontece no Cine Teatro Plaza, às 20h30. Ingressos a R$ 8,00.


