SHOW - NEGRAS MELODIAS
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de junho de 2006
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local<br> Rasgue a camisa,<br> enxugue meu 
Frase de efeito, verso deslocado. Peróla Negra. Clássica, batida até da gravação de Gal até os bares da vida, quantas vozes... Porém bela, eternamente bela. Luiz Melodia poderá cantar tantas e tantas vezes que quiser e sempre haverá um efeito transversal, poético, melancólico. Contundente! Será que Melodia irá cantar essas e outras emblemáticas canções hoje, no primeiro dia do Cabaré? Vai, ô se vai! O show do cantor e compositor, que gentilmente agradece a reverência carinhosa de ''Negro Gato'', inaugura o evento cênico-musical do FILO, a partir das 22h30. As portas do Cabaré serão abertas uma hora antes. Após o embevecimento da platéia, o DJ londrinense Suzuki pretende segurar o ânimo noite adentro com seu som mecanizado.
Para quem gosta de coincidências, Luiz Melodia retorna a Londrina oito anos depois, no mesmo evento e em época de Copa do Mundo. Vem ele acompanhado do violonista e parceiro musical Renato Piau para cantar seus clássicos cada ser minimamente sensível já se curvou a essa ou aquela canção dele além de reler célebres compositores como do Zé Keti (''Diz que fui por aí''), Cartola (''Cordas de Aço''), Nelson Cavaquinho (''Palhaço'') e de seu pai, Oswaldo Melodia (''Maura'' e ''Ser Boêmio'').
Será um espetáculo intimista. Voz e violão, formato preferido por Melodia e aclamado até no exterior Portugal ainda tem as mãos ardendo das palmas a ele dedicadas recentemente. ''É muito boa essa aproximação do artista com o público. Gosto de show intimista por isso. Quanto mais me aproximar das pessoas que gostam do meu trabalho, mais fico feliz e gratificado'', avisa ele.
Claro que ele vai cantar e interpretar pepitas como ''Pérola Negra'', ''Estácio Holy Estácio'', mas para quê ficar esmiuçando o repertório? Bom mesmo é ficar torcendo por ''aquela'' sabe aquela? E celebrar. E vibrar. E se emocionar. Salve, as negras melodias!
A seguir os principais trechos da entrevista que o cantor e compositor concedeu à Folha2
São quase 35 anos de carreira discográfica. Já deu pra sacar o que você representa na MPB? O público já sabe...
(risos) Eu acho que é tudo de bom, não é? Até porque eu vejo nos shows que a variedade de público é surpreendente: são jovens, pessoas de idade, de várias raças até. Quando eu viajo pra fora do País, embora não viaje tanto, há pessoas que têm meus discos e levam para eu autografar. Fizemos Montreux e vimos aquela multidão e ficamos muito satisfeitos, foi um escândalo.
Eu lhe perguntei isso por em seu entorno há uma aura folclórica, mítica, até ''maldita''. A impressão é que você não dá muita bola para rótulos, mídia, crítica especializada. Estou certo?
Está, com certeza, está. Acho que se deve à segurança do que faço e ao público que admira o que faço porque o resto é tão besteira, tão besteira que não me atinge.
Talvez por isso esse rótulo de ''maldito'', por não estar atrelado ao sistema fonográfico...
Mais por isso. Foi uma atitude minha de não abaixar a cabeça e fazer o que as gravadoras queriam. Fui contra isso e até hoje sou porque faço o que eu quero, o que estou a fim, o que me vem à cabeça. Estou mais ligado em satisfazer o público que gosta do meu trabalho porque são as pessoas que me elevaram, me deixaram nessa posição até hoje de ter um trabalho bacana de ser ouvido.
Existem algumas reverências bonitas, alguma manifestação por parte dos fãs que lhe agrada? Negro Gato, por exemplo?
Negro Gato é bacana ...sempre me identifiquei com essa música...Acho que personalizei tanto essa música...
... Que você pegou o termo pra você mesmo?
(risos) Acabou que as pessoas falam ''Negro Gato'' quando se referem a mim, até em jornal...Isso ficou e eu acho legal, lindo pra caramba!
Disco novo na praça quando?
Estou pensando em entrar no estúdio porque eu quero gravar um disco de sambas de compositores de onde nasci, do Estácio de Sá e São Carlos. Há tempos vinha pensando nisso e agora vou realizar. Recolhi umas 50 músicas, passei na peneira e ver uma ou outra que eu tenho interesse. São obras inéditas, são compositores contemporâneos. Talvez eu grave duas músicas do Geraldo Pereira, por quem eu tenho admiração.
E quando entra em estúdio?
Não tenho data exata porque estou sem gravadora. Isso é o de menos. Mas eu quero uma gravadora legal que tope fazer esse disco. Estou conversando com algumas gravadoras.
Mudando de assunto, li que você é um jogador de futebol frustrado? Você chegou a pensar em ser profissional da bola, como se diz?
Cheguei a pensar sim. Até hoje jogo futebol no campo do Chico Buarque... Cheguei em ser um jogador profissional sim! Era ponta direita!
Então, o que aconteceu: a música venceu ou o talento em campo não era o suficiente?
A música venceu. Meu pai era músico, minha família toda era e acabou que me enveredei pela música, não teve jeito...
O Brasil na Copa está fazendo bonito, jogando bem, fazendo uma campanha boa, né?
(risos) Eu pensei que você estivesse falando verdade... O Brasil na Copa está mais ou menos. A gente vai torcendo da maneira que pode. Se pudesse fazer shows todos os dias na Copa eu faria... É que não estou torcendo mais como alguns anos atrás.
No que ou em quem você mexeria no time do Brasil?
(risos) No Ronaldo Gordo. Tiraria essa foca e colocaria o Robinho e novamente o Fred e o Gilberto Silva.
Algum palpite sobre Brasil e Japão?
Dois a um.
E já sabe em quem vai votar pra presidente da República?
Outra confusão! Tá difícil, mas não tendo outro, eu votaria no Lula.
Serviço
- Show com Luiz Melodia. Hoje a partir das 22h30, no Cabaré do Filo (Avenida Celso Garcia Cid, 1.513). As portas serão abertas às 21h30. Ingressos: R$ 20,00 (aposentados, estudantes, classe artística, funcionários da UEL e portadores do cartão Petrobras pagam meia-entrada) e podem ser adquiridos nas bilheterias do festival localizadas no Royal Shopping Center. Após o show, a animação fica por conta do Dj Suzuki. Mais informações pelos telefones 3323.9257 e 3322.2596 ou no site www.filo.art.br


