SHOW - Na 'Maré' musical de Adriana
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sexta-feira, 23 de junho de 2006
Antônio Mariano Júnior<br> Reportagem Local 
A moça sabe lapidar palavras brutas. Prima também pela delicadeza. Tem um jeito interessante de arranhar o violão, um canto doce, letras agridoces. Acordes críveis e alguns incríveis. Adriana Calcanhotto é detentora de muitos adjetivos. Senão, como explicar os ingressos esgotados no mesmo dia em que as bilheterias se abriram para o show que ela faz hoje, no Cabaré? Fãs aflitos, cambistas em estado de graça tem gente dando seus pulos para garantir satisfação pessoal no espetáculo ''Maré'', com o qual a cantora e compositora gaúcha encerra a maratona artística do evento musical do FILO. Ela sobe ao palco às 22h30, uma hora depois das portas do Cabaré se abrirem.
''Maré'' é um show intimista. Mas não esperem apenas banquinho, voz e violão. Adriana vai interpretar sucessos próprios e releituras de autores por ela benquistos como Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Seo Jorge, Caetano e Moreno Veloso, só para citar alguns. Além de empunhar violões, Adriana Calcanhotto vai a outras cordas com guitarra e cello. Atrás dela, o cenário de Hélio Eichbauer.
Pode ser que o público do FILO escute alguma nova canção dessa importante compositora contemporânea. Vamos ver... Com ''Maré'', Adriana Calcahotto retorna ao palco na própria pessoa depois do bem-sucedido projeto ''Partimpim'', heterônimo com o qual fez disco e DVD direcionados a crianças de todas as idades. A seguir os principais trechos da entrevista que a artista concedeu à Folha2.
''Maré'' é um show coringa, um espetáculo alternativo, digamos assim, quando você não pode levar produções maiores a alguns lugares?
Eu não chego a encará-lo como um show alternativo. É uma possibilidade que existe e que eu gosto muito de fazer. Com o fim da turnê do ''Partimpim'' eu estou retomando aos palcos com esse show. Eu gosto dessa possibilidade de ter um espetáculo que não seja atrelado a nenhum lançamento de disco. Eu até brinco que esse show não tem um nome, que ''Maré'' é um apelido. Nos momentos de entressafra, em que preciso me esvaziar do trabalho anterior, não significa que necessariamente tenho que ficar parada.
Você sabia que os ingressos para o seu show se esgotaram no primeiro dia?
Ah é? Que alegria!!
Seus espetáculos são pontuados com alguns comentários ácidos. Se assim for, o que não faltam são motes levando em conta os últimos acontecimentos no Brasil, né?
(risos). É, mas o que aproxima o público do repertório são as histórias das canções, o motivos de elas estarem no show. É mais em cima disso...
Agora, aquele comentário seu sobre o poeta português Mário de Sá Carneiro (''uma bichinha complicada com uma poesia não menos densa'') e registrada em disco é antológica...
(risos) Pois é...
Ser querida como cantora é bom e ser prestigiada como compositora então deve ser a glória ou você já se acostumou com a idéia de ser gravada por bons nomes?
Ah, eu gosto muito porque me aproprio de canções de outros autores, então eu adoro quando fazem isso com uma música minha. Eu adorei a gravação da Marisa Monte no disco de samba. Esse caso da Marisa (que gravou um samba dela em seu mais recente disco) foi meio que uma encomenda. Mas eu gosto de encomendas porque me ajuda a produzir.
Parece que a Maria Bethânia é a intérprete que mais foca olhar em suas músicas e que ela é quem dá nome à suas canções. Que história é essa?
É que eu sempre mando canções para a Bethânia, às vezes só para ela ouvir e saber o que estou fazendo. Ela faz comentários bacanas. Das canções que mandei para gravar, acho que todas as que escolheu a Bethânia mudou o título. Chegou ao ponto de até hoje em dia qualquer canção que mando mando para ela vai sem nome. Ela, se quiser, dê o título.
Parcerias novas, músicas novas, discos novos, quais as novidades?
A turnê do show ''Maré'' está me ajudando a compor, mas não tenho idéia e nem tenho pressa de saber quando vou entrar em estúdio. Na verdade, nunca senti pressão de gravadora para fazer discos. Sempre fiz no meu timing e as gravadoras sempre foram meio cúmplices. Disso não tenho que me queixar. A relação é tranquila.
Já deu para saber qual o que você conquistou em dezesseis anos de carreira
Eu só sei tenho muito trabalho pela frente ainda.
Serviço:
- Show ''Maré'', com Adriana Calcanhotto. Hoje a partir das 22h30, no Cabaré do Filo (Avenida Celso Garcia Cid, 1.513). Ingressos esgotados. As portas do Cabaré serão abertas às 21h30. Após o show, a animação fica por conta do Dj paulistano Recycle.


