Curitiba Quase duas décadas e três discos-solos depois, o músico Jair Oliveira está cada vez mais distante de Jairzinho, aquele menino espevitado que entretia a criançada no Balão Mágico, extinto programa da Rede Globo, veiculado na década de 80. ''Não me arrependo daquela fase e nem tenho vergonha, mas acho que quem comprar meus discos mantendo a imagem daquele tempo na cabeça, vai se decepcionar'', avisa o músico, que deixou o diminutivo para atender pelo nome de batismo. Ele acaba de lançar seu terceiro disco-solo da fase, digamos, adulta, e mostra o repertório do novo trabalho em única apresentação hoje, em Curitiba.
Intitulado ''3.1'', o disco é o primeiro trabalho de Oliveira sob a batuta da gravadora Trama. Os dois CDs anteriores ''Disritmia'' e ''Outro'' foram gravados na produtora de Oliveira, a S. de Samba. ''O fato de 'sair de casa' para gravar o disco já foi diferente'', conta o músico. Mas as novidades não acabam por aí. O disco também traz parcerias inéditas de nomes consagrados, como Tom Zé e Arnaldo Antunes, para citar algumas.
''Nos dois primeiros trabalhos, fiz apenas algumas parcerias com Ed Motta'', lembra. Em ''3.1'' aparecem também nomes como Daniel Carlomagno, Otto, Dom Betto, Andres Soto e César Camargo Mariano. No disco, o músico também investiu na produção sonora. A masterização, por exemplo, ficou por conta de Tim Young, do Metropolis Studios, em Londres, que já masterizou trabalhos de Madonna e do ótimo Massive Attack. ''Para quem presta atenção na qualidade do som, essa masterização faz uma diferença grande'', diz.
Todo esse cuidado sempre esteve presente nos trabalhos do músico, seja na gravação dos discos próprios, de outros artistas (ele chegou a produzir o disco do pai, Jair Rodrigues) ou nos trabalhos comerciais que a S. de Samba produz. Mas há quem diga que essa característica ficou ainda mais apurada e que ''Jairzinho'', aos 28 anos, chegou finalmente à maturidade com ''3.1''.
''Acho natural as pessoas pensarem assim, seria ruim se não acontecesse, se eu não crescesse e não demonstrasse isso em cada trabalho'', reflete o músico. Para ele, não houve muitas mudanças entre os três trabalhos. ''Mas está mais fácil fazer os arranjos, por exemplo, e chegar a uma sonoridade que me satisfaça'', comenta.
A fluência no trabalho facilitou a gravação de um número de músicas que vai além das que entraram no disco. ''É por isso que o CD se chama 3.1, acho que com as músicas que sobraram dá até para fazer um 3.2'', brinca. Das canções feitas para o CD, sete não entraram no trabalho, mas o músico não pensa em incluí-las em uma segunda edição distinta, incluindo músicas inéditas. ''O meu contrato com a Trama acaba depois desse disco'', lembra sem divulgar se novo contrato deve ser firmado.
Depois de cumprir agenda de lançamento de ''3.1'', o músico deve se dedicar aos trabalhos da S. de Samba e vislumbra a gravação de um disco instrumental, ainda sem data para ser lançado. Jair Oliveira investe também na carreira de produtor. Acaba de co-produzir o novo disco de Tom Zé, que deve ser lançado até o final do ano e está ajudando na escolha do repertório do novo disco da irmã, Luciana Melo, também sem data para lançamento.

Serviço
- Show de lançamento do disco ''3.1'', de Jair Oliveira, hoje, a partir das 23 horas no Espaço Cultural Cine (Avenida João Gualberto, 81). Abertura com a banda 16 Toneladas. Ingressos a R$ 10,00.

mockup