SHOW - Mais experiências na bagagem
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 05 de julho de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Contrariando um pouco o trajeto convencional, os integrantes da banda londrinense Soul Brasil buscaram a experimentação lá fora para, então, apresentar resultados mais apurados em terras brasileiras . O grupo retornou de sua segunda turnê por cidades dinamarquesas em maio e demonstra hoje, no Bar Valentino, boa parte da experiência conquistada em 40 dias de shows e workshops musicais. No
De acordo com o baterista Rodrigo Serra, a idéia inicial era mostrar ao público clássicos da música brasileira como Tom Jobim, Roberto Menescal, Edu Lobo, Pixinguinha, nos tradicionais jazz clubs da Dinamarca. ''Acabou não dando certo, pois a maioria não estava funcionando no período em que passamos por lá, além de muitos estarem fechados também para um repertório jazzístico americano'', revelou. Em contrapartida, o vínculo estabelecido entre o público escandinavo deu-se em bares, pubs, casas noturnas, eventos ao ar livre e escolas de música. ''A receptividade foi acima do esperado. Lá, as pessoas conhecem esse tipo de música brasileira, como 'Wave', 'Garota de Ipanema', e a intenção era justamente levar esse tipo de repertório, que no Brasil é meio 'lado A', para fazer uma ponte com o público dinamarquês'', disse Serra. O músico lembra que o samba-jazz apresentado incluía duas músicas instrumentais que atraíram ainda mais os espectadores. Além de Copenhagen, Auhrus, Holtebro, a banda levou suas interpretações a outras 15 cidades.
Com respeito às questões estruturais de uma temporada no exterior, Serra revela que ficou hospedado na residência do integrante do Soul Brasil, Han Kobbero que é dinamarquês e também em uma escola de música, em caráter de permuta. ''O Hans emprestou o dinheiro de nossas passagens e nós pagamos a ele com a arrecadação dos shows. Na escola de música da cidade de Vig, a gente conseguiu hospedagem em troca de apresentações'', acrescentou.
Sem nenhum CD gravado até o momento, a banda começou a ser formada em 2003. Segundo o baterista, a peça chave para a consolidação do Soul Brasil foi o saxofonista Hans que participou de algumas edições do Festival Internacional de Londrina (FILO) com o grupo de teatro Odin, e acabou permanecendo em Londrina por dois anos. ''Depois que o conhecemos, ele acabou sugerindo que fóssemos para a Dinamarca. Na verdade, a banda foi constituída para tocar lá. Na primeira vez, tínhamos uma outra formação e nosso estilo de música era mais um samba-funk'', justificou.
A primeira ida do grupo ao país aconteceu em 2004. Esse ano, segundo o baterista, Hans tocou em metade do repertório e foi responsável pelos equipamentos de som. ''Ele faz parte do Soul Brasil, mas só tocamos juntos quando estamos na Dinamarca ou quando ele vem para Londrina. Em novembro é provável que ele volte a passeio'', disse. Serra ressalta que entre os próximos passos do sexteto estão diversas apresentações em Londrina. ''Pretendemos tocar bastante aqui para não deixar a banda morrer. Queremos tocar novamente na Dinamarca no próximo ano; fizemos muitos contatos por lá'', lembrou. O músico afirma que hoje à noite as pessoas terão a oportunidade de conferir parte da experiência conquistada na Dinamarca.
O Soul Brasil é formado por Gisele Silva (voz), Filipe Barthem (baixo), Rodrigo Serra (bateria), Duda de Souza (percussão), Alex Correa (teclados) e André Gião (guitarra e cavaco).
Serviço
- Show com a banda Soul Brasil, hoje, a partir das 22 horas, no Bar Valentino (Avenida Faria Lima, esquina com a Rua Joaquim Nabuco em frente ao Lago Igapó 3). Couvert: R$ 5,00 Telefone: (43) 3348-0791.


