Curitiba Ele acorda cedo e dorme pouco, umas quatro ou cinco horas por dia. Não sente sono e tem uma única explicação para isso: ''Minha mente está sempre trabalhando, mas eu sinto muito prazer com isso, então me engano achando que quando estou acordado, também estou descansando''. Confuso? Nada. Não quando se trata de um dos maiores fenômenos musicais que o Brasil viu e escutou nas últimas duas décadas. O músico pernambucano Lenine acumula 21 anos de carreira, período em que lançou seis discos. É o repertório do mais recente, ''In Cité'', gravado ao vivo na França, que ele traz para a capital hoje, em única apresentação no Curitiba Master Hall. O show tem abertura do músico curitibano Alexandre Nero e da banda Maquinaíma.
O espetáculo é homônimo ao primeiro disco ao vivo de Lenine e ao seu primeiro DVD, mas nem por isso, o público vai ver uma apresentação estática, conforme avisa o músico em entrevista à Folha2. ''O show aliás, deveria se chamar 'ex cité''', brinca. Para Lenine, a transposição das músicas para o palco (e com a platéia) já é suficiente para as canções ganhares formatação diferente.
O repertório se assemelha ao que Lenine mostrou aos franceses, em abril do ano passado, na sala de concertos parisiense Cité de la Musique. Passeia pelos sucessos de carreira ''Paciência'', ''Jack Soul Brasileiro'', ''Lavadeira do Rio'' e inéditas como ''Do it'', ''Ninguém faz idéia'' e ''Todas elas juntas num só ser''. O músico foi o segundo brasileiro depois de Caetano Veloso a se apresentar na prestigiosa casa de espetáculos de Paris.
No show, ele lançou oito canções inéditas. Tocou violão acompanhado pela baixista-vocalista cubana Yusa, e pelo percussionista Ramiro Musotto que no palco do Curitiba Master Hall hoje serão substituídos pelo guitarrista Jr. Tostoi, o baterista Pantico Rocha e o baixista Guila.
O disco inaugura uma nova fase do músico, que também investe em selo próprio, o Casa Nove. Com o álbum, Lenine ganhou no ano passado dois Grammys Latinos como ''melhor cd pop contemporâneo'' e melhor música com ''Ninguém faz idéia'' (dele e de Ivan Santos). Lenine venceu também o Prêmio Tim de 2005 em quatro categorias (melhor disco com ''Lenine In Cité'', melhor cantor pelo juri e pelo voto popular e melhor canção com ''Todas elas juntas num só ser'', dele e Carlos Rennó).
O músico também acaba de assinar contrato com o selo americano Six Degree o mesmo da cantora Bebel Gilberto. O selo está lançando uma compilação reunindo os maiores sucessos do músico. ''Esse contrato vai facilitar a pulverização da minha música. É mais uma janela que se abre nesse processo'', analisa. No primeiro momento será lançado uma coletânea de 15 músicas, compiladas de três discos do músico. A proposta é lançar, posteriormente, os discos com o conteúdo fechado, assim como foram lançados em território brasileiro.
Depois disso, Lenine não sabe onde quer chegar, mas sabe onde não quer ir. ''Eu não quero sair do meu caminho. Quero continuar fazendo minha música do meu jeito, que tem muito a ver com reportagem, com jornalismo. Minha música é o que eu ouço. É o que eu vejo'', diz. Depois do show em Curitiba, o músico entra em estúdio para gravar a trilha do próximo espetáculo do Grupo Corpo. Mas sobre isso, ainda mantém segredo: ''Deixa eu mostrar a eles, primeiro. Depois eu conto''. A gente espera.

Serviço:
- Lenine In Cité - Show de lançamento do disco ''In Cité''. Abertura com Alexandre Nero e banda Maquinaíma. Hoje, a partir das 23 horas no Curitiba Master Hall (Rua Itajubá, 143, (41) 3248-1001). Ingressos a R$ 80,00 e R$ 40,00.

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