Os homens que já uivaram para a lua cheia dos 40 anos não imaginam o que pode acontecer aos 70, que na cartilha de um menestrel da política e do sexo não é apenas uma idade, mas uma postura sexual. Nada como chegar à virilidade dos 69 anos e dominar a ciência do humor e ironia, que garantiu uma performance invejável de 50 anos de carreira a Juca Chaves. ''Sou pequenininho, feio e narigudo, mas, apesar disto, nunca tive reclamações.''
Juca, o seu alaúde e o nariz respeitável - que mereceu ser satirizado pelo dono - com um dos sucessos da trajetória, ''Nasal Sensual'', é atração no próximo sábado, às 21h, no Teatro Ouro Verde. Os ingressos custam R$ 60 e R$ 40 com a apresentação do cupom publicado pela FOLHA. Além do público londrinense, os fãs de Umuarama (dia 19), Paranavaí (dia 20) e Maringá (dia 22) terão a oportunidade de conferir o show ''Melhor Que Isso Só Sendo Ministro''.
Um currículo musical cinquentão só não, mas em se tratando de Juca, a comemoração singular, é uma marca histórica de ''50 anos de prostituição'' artística, como gosta de dizer. Uma relação com a arte de alguém que é praticamente um atleta musical, fazendo piada de tudo, inclusive da traição, o que lhe rendeu 645 composições.
''O importante não é a gente ser traído. O importante é que a mulher da gente seja bela, pois é sempre melhor dividir um prato de morangos com os amigos que comer sozinho um prato de ...'' Esse é o Juquinha, que até nas entrevistas faz rir, mas que da fama de mulherengo recolheu um relacionamento de 33 anos com Iara. O que não poderia dar em outra coisa que os versos apaixonados ''...dorme e sonha sobre a fronha de algodão lilás'', em ''Cantiga Para Iara Dormir e Sonhar''.
Essa e tantas outras modinhas se tornaram sucessos do compositor, como ''Cúmplice'', que mesmo sendo do início da carreira voltou às paradas na interpretação de Fábio Junior. ''Profissionalmente, eu comecei a minha carreira em 1958. Amadoristicamente componho desde os 12 anos, mas tive que esperar ter 20 anos para poder me apresentar nos lugares. Meu pai era um judeu austríaco e me fez conhecer aqueles compositores que não trabalham na Globo, como Mendelssohn e Beethoven, que era surdo, não tocava Bossa Nova, mas não era um cara mau'', brinca Juca.
Por falar em Bossa, aos 16 anos, ele compôs ''Presidente Bossa Nova''. Ao satirizar Juscelino Kubitschek, dizendo que para governar o Brasil basta ser simpático, risonho e original, acabou profetizando que essa bossa não é e nunca será nova no País. ''Sou um cara que faço sátira. Não me sinto humorista. A sátira tem humor pela própria natureza da sátira. Hoje, a sacanagem está mais explícita'', afirma ao comentar a situação política atual.
Juca ressalta que traz coisas novas no show, inclusive a sátira ''O Rei Está Nu'', inspirada na frase do ex-deputado Roberto Jefferson ao dizer ''Eu saio, mas deixo o rei sem roupa''. Nos anos 1960, o compositor estourou no mercado fonográfico. No final da década de 1980, a coisa foi arrefecendo e o compositor desapareceu da TV. ''O Brasil não lê. Ele vê na TV e se não vê, acha que você morreu.'' Juca é um dos compositores brasileiros que mais tiveram músicas proibidas e censuradas.
Ele lembra que foi expulso até de Portugal, exilando-se na Itália, onde viveu cinco anos. ''No Paraná tivemos problemas na época do governador Lupion. Na saída de um teatro mais de 30 sujeitos cercaram o Juquinha.''
Agora em sua nova etapa de vida, que de brincadeira - ou não - diz ser uma fase sexual, o carioca Juca se divide entre a Bahia, onde mora há 25 anos, e São Paulo, cidade que ele diz que o civilizou. A razão é Maria Clara e Maria Morena, as duas filhas do compositor, que estudam na capital paulista. Aos 69 anos, Juca ainda é o cara que tem a personalidade no nariz, esbanjando autoconfiança ao dizer numa de suas modinhas mais famosas que, ''...além de lindo (o nariz), é um romântico sensual''.

SERVIÇO
- ''Melhor Que Isso Só Sendo Ministro'', com Juca Chaves
Quando - Sábado, às 21h
Onde - Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85), em Londrina
Quanto - R$ 60 e R$ 40 (com apresentação do cupom da FOLHA) à venda no Teatro Ouro Verde

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