SHOW - Guerreiros do rap
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sexta-feira, 04 de março de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba ''Eu nasci para ser artista''. É assim que Liliane Carvalho, a Negra Li, responde como começou a carreira, muito antes de ser considerada a nova diva do hip hop. Descoberta num show na periferia de São Paulo, pelo grupo RZO, enquanto cantava com uma banda da escola, Negra Li conta que o rap apareceu na sua vida por acaso, mas foi por meio dele que ela viu sua carreira deslanchar. ''Me convidaram para cantar numa banda de hip hop, mas podia ser de pagode que eu aceitava. Eu sempre gostei de cantar'', brinca. Ela mostra hoje, ao lado do companheiro de palco Helião, o repertório do seu primeiro disco, ''Guerreiro, Guerreira'' (Universal), lançado no final do ano passado. O show integra a programação do Brasil Clube, que acontece em duas etapas na Pedreira Paulo Leminski, a partir das 18h30.
No show em Curitiba, a dupla sobe ao palco acompanhado apenas de um DJ, enquanto o show original da turnê nacional tem banda completa, DJ, dois backing vocals e um holding. ''O show está num formato menor, mas não deixa nada a desejar'', promete Negra Li. Nascida na Vila Brasilândia, periferia da zona norte de São Paulo, a cantora acha graça na virada que sua vida deu depois de participar das apresentações do RZO, lançar o primeiro disco e ter música em trilha de novela da Globo. ''O mais engraçado é o assédio da imprensa. A gente fala algumas coisas e as pessoas viajam. Um dia disse que gostava de cantar as músicas de igreja e foi publicado que eu comecei a cantar no coral da igreja. Não foi bem assim'', conta.
Ela revela que sempre se interessou por música e arte. Quando pequena, gostava de cantar e dançar em frente ao espelho. ''A música sempre me chamou a atenção e como a minha mãe é evangélica e na igreja que ela frequenta tem muita música, acabava cantando música evangélica também'', diz. E se a arte imita a vida, temos aqui um bom exemplo dessa máxima. Negra Li protagoniza um filme cuja história se assemelha muito com a sua própria trajetória. ''Pura coincidência'', garante.
O longa ''Antônia'', dirigido por Tata Amaral, ainda está em fase produção. As filmagens acontecem até o final do mês. ''Hoje acordei às 6 da manhã para gravar. Está sendo uma experiência ótima'', conta Negra Li, em entrevista à Folha2, por telefone, anteontem. O enredo do filme conta a história de quatro meninas da periferia que perseguem o sonho de cantar rap e formam o grupo que dá nome ao filme. ''Não é uma biografia, mas tem muito da minha vida. Até a minha família, quando viu o roteiro, identificou a minha história'', revela.
Essa é a primeira vez que ela participa de um longa-metragem, antes colecionava apenas pequenas atuações no teatro. ''Estou adorando, mas tem coisas que eu não faria mais. Como beijar no filme. Quase perdi meu namorado'', diz. Além dela, integram o elenco Cindy Mendes, Quelynah e Leilah Moreno, como protagonistas. Negra Li também contracena ao lado de Sandra de Sá, que interpreta a mãe da personagem.
Além do show de Negra Li e Helião, o Brasil Clube traz para Curitiba o conceito que fez a fama dos finais de tarde na ilha de Ibiza, com chillout, alongamento e yoga. Durante a noite, acontecem as atrações musicais, com a dupla de rap e o grupo CPM 22. O evento ainda terá games e interatividades, com a presença de apresentadores como o ator Paulinho Vilhena e a VJ Penélope Nova. Além de mestres-de-cerimônia do evento, Vilhena e Penélope comandam o jogo ''Cama Redonda'' respondendo a perguntas sobre sexo e dando dicas de azaração e comportamento.
Serviço:
- Brasil Clube na Pedreira Paulo Leminski. Das 18h30 às 20h30, atrações com entrada franca. Para as atrações musicais, os portões serão abertos às 22h30. Ingressos à venda nas lojas Brasil Telecom GSM e no local a R$ 40,00 e R$ 20,00.


