Curitiba - A idéia inicial do show ''Ney Matogrosso interpreta Cartola'' era fazer um disco bônus para acompanhar o livro ''Ney, Ousar Ser'' (de Bené Fonteles, sobre a carreira de Ney), lançado no ano passado, e fazer apenas algumas apresentações para marcar o lançamento. Mas como o livro atrasou, enroscado na burocracia, o cantor decidiu fazer o show antes que a obra estivesse pronta e acabou se surpreendendo com o sucesso do projeto.
O que era para ser um show com somente quatro apresentações já foi apresentado mais de 70 vezes em várias cidades do Brasil. O público curitibano vai poder conferir o espetáculo hoje à noite, em única apresentação no Teatro Guaíra.
Em conversa com a Folha, por telefone, Ney Matogrosso define o show como ''um exercício de interpretação''. Foi em busca desse exercício que o cantor escolheu um compositor tão distinto dele próprio para interpretar. ''Não tenho nenhuma identificação com o Cartola, mas o universo da paixão que ele aborda me fascina'', disse.
Angenor de Oliveira (1908-1980), conhecido como Cartola, é considerado um dos maiores sambistas de todos os tempos. Ele fundou a escola de samba Estação Primeira de Mangueira e foi responsável pela escolha das cores verde e rosa que identificam a escola. Gravado pelos grandes cantores da década de 30, ele desapareceu por um longo período e somente no final década de 50 foi encontrado pelo cronista Sérgio Porto, trabalhando como lavador de carros.
Cartola gravou seu primeiro disco aos 65 anos. O compositor assina verdadeiras pérolas da música brasileira, como ''O Mundo é um Moinho'' e ''As Rosas não Falam''. Ambas fazem parte do repertório escolhido por Ney Matogrosso no show que homenageia o mestre do samba. Mas a preferida de Ney, conforme confessa o cantor, é ''Basta Clamares Inocência'', que ele interpreta durante o espetáculo. O show conta ainda com as músicas ''O Sol Nascerá''; ''Cordas de Aço''; ''Acontece''; ''Ensaboa''; ''Senões''; ''Peito vazio'' e ''Desfigurado''.
Depois de Curitiba, o cantor segue com a turnê do show. O próximo trabalho anunciado por ele, um disco com canções inéditas do Cazuza, será adiado ainda por algum tempo por conta da escolha do repertório. ''Eu acho que o disco tem que ter pelo menos sete músicas inéditas'', diz. As letras estão sendo musicadas por nomes da música brasileira escolhidos a dedo, como Lobão e Angela Rô Rô.
Enquanto o projeto do disco de Cazuza não deslancha, Ney Matogrosso se dedica a outro trabalho inédito: gravar um disco com Pedro Luís e a Parede. ''Fomos convidados para gravar um disco juntos. Eu já tinha gravado uma música do Pedro antes, mas será nosso primeiro trabalho em conjunto'', revela o cantor. A previsão de lançamento do trabalho, ainda sem título, é para o segundo semestre deste ano.

Serviço: ''Ney Matogrosso interpreta Cartola'', hoje às 21 horas. Ingressos a R$ 40,00 (platéia); R$ 32,00 (1º balcão) e R$ 25,00 (2º balcão).

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