Curitiba - Eles encerram a primeira temporada de shows em Curitiba amanhã, no Guairinha. E quem for conferir vai encontrar um grupo mais maduro, com novos parceiros nas composições e utilizando instrumentos inéditos, mas sempre com a sonoridade ímpar que consagrou o grupo Fato. Formado Por Ulisses Galetto, Zé Loureiro Neto, Alexandre Nero, Gilson Fukushima, Grace Torres e Priscila Graciano, o grupo está lançando o quinto disco, ''Músicaprageada''. A interpretação do título fica a cargo de quem lê e tanto pode remeter ao frio intenso que castiga (ou brinda) os paranaenses, como às colagens e plágios cada vez mais comuns quanto o assunto é música.
Elementos eletrônicos, consolidação de parceiros antigos e parcerias com novos compositores são algumas das características do novo disco, lançado com apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Foram mil cópias lançadas pela lei e outras mil bancadas pelo próprio grupo, que já conquistou um público cativo no Estado e fora dele. Sobre a formação desse público e as experiências que influenciaram o novo disco, o baixista Ulisses Galetto falou à Folha. Acompanhe a entrevista.
Esse foi o disco que mais demorou para sair, em relação aos anteriores. Por que esse processo foi mais lento?
Ulisses Galetto Nós começamos a produzir esse CD no final de 2004, começo de 2005. Mas logo em seguida tivemos, já no início do ano passado, o projeto com a Orquestra Sinfônica, que foi um projeto muito importante. Ficamos três meses em função dele. Depois que terminamos a parceria, retomamos o projeto do CD. Três meses depois veio o convite para o Ano do Brasil na França, que também levou dois meses de trabalho. A gente precisou de um tempo para preprar um show especial para levar pra França.
Quantos shows vocês fizeram lá e como foi a recepção do público?
Galetto - Fizemos cinco shows e foi maravilhoso. Eu estava um tanto preocupado porque junto com a gente foi a Orquestra de Violas, de Cascavel e um trio de choro. Todos eles com músicas conhecidas pelo público do mundo inteiro. Nós fomos o único grupo que levou músicas inéditas, então confesso que estava um pouco preocupado com isso. No fim, foi maravilhoso. Teve uma senhora de uns 60 anos que não falava português, mas mandou nos dizer que a gente conseguiu o impossível: fazer os franceses reagir como os brasileiros. Todo mundo pulou, gritou, aplaudiu.
E tanto essa experiência na Europa, como com a Orquestra influenciaram na produção do novo disco ou as músicas já estavam prontas e não foram alteradas?
Galetto - As músicas já estavam prontas há algum tempo, tanto que algumas músicas que estão gravadas a gente já fazia no show ''Atamancados'', de 2003. Mas eu acho que essas duas experiências trouxeram algumas influências, sim. Porque depois do projeto da Orquestra e da turnê na França a gente passou por um processo de refinamento das músicas e mesmo na gravação, muita coisa a gente alterou. Mexeu nos sons, nos timbres. Acho que a experiência influenciou, sim. De alguma maneira que eu não sei dizer exatamente como, mas saímos mais maduros desse processo. Os últimos seis anos, aliás, foram muito generosos com a gente. E de alguma maneira isso reflete no nosso trabalho.
E quais são as principais novidades do novo disco? Tem novos compositores, incluindo uma letra do Augusto de Campos...
Galetto - Acho que esse CD amplia o universo de participações do Fato. Você sabe que desde o primeiro show, o Fato tenta trazer compositores não só do próprio grupo, mas gente de todo canto. Neste CD, por exemplo, a primeira música (Technera) tem participação de pessoas do Brasil inteiro, além de um americano e um francês. E tem também essa música com letra de Augusto de Campos e música de Neuza Pinheiro, de Londrina. Acho que o universo de participações do Fato ampliou muito e essa é a grande novidade. Mas nesse disco a gente também lançou mão de artifícios eletrônicos, de uma maneira muito econômica, claro, mas acho que isso também é uma diferença.
E o show, como está? Tem a presença cênica dos espetáculos anteriores?
Galetto - Sim. Dessa vez com um elemento a mais, que é o vídeo. São vídeos produzidos pelo Marcos Davi com imagens da urbanidade e que dialogam com as letras do show. Foi uma concepção da Jaqueline Daher, que dirige o espetáculo. É uma interferência visual bacana. Uma coisa nova pra nós.
E como está a agenda de vocês agora? Vocês encerram hoje a temporada em Curitiba e já tem outras apresentações marcadas?
Galetto - Temos uma proposta para o Rio de Janeiro, em agosto. A possibilidade de fazer shows em São Paulo no segundo semestre e uma segunda temporada em Curitiba no final do ano. Daí vamos a luta, como sempre fomos, mas acho que o segundo semestre promete. Nos últimos anos fizemos duas temporadas por trabalho em Curitiba, mas tocar é caro. Agora procuramos novos horizontes e queremos pegar a estrada.

Serviço:
- Show e lançamento do CD ''Músicaprageada'', do Grupo Fato. Sábado e domingo às 21 horas, no Guairinha (Rua XV de Novembro, s/n). Ingressos a R$ 10,00 e R$ 5,00. Informações:www.fato.org

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