SHOW - Blues para ouvir com a alma
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de março de 2004
Ana Clara Garmendia<br> Equipe da Folha 
Curitiba Depois de um 2003 cheio de marasmo em termos de apresentações musicais na cidade, Curitiba vive hoje um dia de glória. A uma hora dessas (em que o jornal esteja nas mãos do leitor) o mestre dos guitarristas, um homem de 78 anos que é uma parte viva da história do Blues deve estar confortavelmente sentado em um banco de ônibus vindo ao encontro de seus desesperados fãs. B.B. King do alto de seu reinado (que ele mesmo renega) está no Brasil pela quinta vez e faz única apresentação hoje à noite em Curitiba num dos cincos shows da turnê TIM Festival e Motorola apresentam B.B. King.
Hoje não tem para ninguém. Quem não conseguir penetrar neste mundo de sonoridades que nasceram na mão dos negros do Mississipi (EUA), no século passado, deve preferir o silêncio. Em respeito a um show histórico. Fica difícil traduzir som em palavras. Fica difícil contar a história de um músico que carrega em si um carma de atrair somente elogios durante uma vida inteira dedicada à música. Fica difícil explicar o espírito de um homem que é considerado rei por outros ''reis'' como é o caso da admiração que Eric Clapton e vários outros músicos maravilhosos têm por ele.
Não fosse tudo isso também ficaria difícil contar como vai ser um show de alguém que poderia estar confortavelmente sentado em uma primeira classe de um avião, mas prefere o caminho seguro das estradas. B.B. King viaja por São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília de ônibus. A pedido dele mesmo todo o percurso da turnê será feito em um ônibus de luxo de dois andares. Lá dentro tem até um leito para o rei descansar. E têm também sala de estar e jogos, geladeira, DVD e serviço de um mordomo.
A falação em torno do show em Curitiba já acontece há vários dias. Os ingressos duraram apenas algumas horas na bilheteria do Teatro Guaíra. Na frente do teatro se formaram filas. E isso que vivemos um período difícil para um show que em termos de Brasil é caro (os ingressos foram vendidos em valores entre R$ 70 e R$ 170), mas se for pensado como um show internacional não é tão salgado assim.
''Um show do B.B. King na própria casa de shows dele é US$ 50. O povo reclamou que estava caro, mas não é não'', comentou o vocalista Zé Rodrigo da The Soulution, banda que, ao lado da Mrs. Jack, abre o show de logo mais com uma apresentação de 40 minutos. Zé Rodrigo é também dono da produtora que traz em parceria com a Bourbon Street Music Club de São Paulo o músico para cá.
Para a banda que começou a tocar profissionalmente em 2000, após vencer um concurso de Blues no Hermes Bar, receber hoje o rei é um motivo de orgulho. Zé Rodrigo que acaba de se recuperar de uma cirurgia de redução de estômago pisa no palco do Guairão com 19 quilos a menos, mas com uma responsabilidade imensa: tocar para uma platéia de duas mil pessoas especialista em ouvir Blues. ''Olha nós estamos muito felizes. Realizados por estar com esse show. Abrimos a produtora em dezembro e já carregamos esse trunfo'', falou por telefone à Folha.
B.B. King trouxe consigo Calep Emphrey Jr. (bateria), Melvin Jackson (saxofone), Walter King (saxofone), Charles Dennis (guitarra), Leon Warren (guitarra), James Bolden (trompete), Stanley Abernathy (trompete), James Toney (teclados) e Reginald Richards (baixo).
O show de logo mais não deve ter solos muito longos para não ''cansar'' o ouvinte, já declarou B.B. King à imprensa, anteontem, quando chegou ao País. O que se pode esperar é que toda a platéia entre em catarse coletiva. Principalmente porque dá para arriscar dizer que todo mundo que vai estar no show logo mais comunga dos mesmos princípios de B.B. King. Amar a música sobre todas as coisas. Reverenciar o blues como uma forma de vida. Embalar-se em sons como ''The Trill is gone'', uma espécie de hino ao blues e à vida e que B.B. sempre toca em seus shows.
SERVIÇO
- Show com B.B.King, hoje, às 21 horas, no Teatro Guaíra, em Curitiba. Apresentação única. Os ingressos, vendidos entre R$ 70,00 e R$ 170,00, estão esgotados. As bandas The Soulution e Mrs. Jack fazem a abertura do espetáculo.


