É o primeiro show dela em Londrina. Mas não a primeira vez que vem à cidade. Quando bebê, a cantora Maria Rita respirou os ares do Norte do Paraná, no colo da mamãe famosa. Hoje também famosa, a filha de Elis Regina e Cesar Camargo Mariano prossegue a turnê nacional de seu aclamado primeiro CD, lançado há extamente 1 ano pela Warner.
Neste sábado ela se apresenta no Ginásio Marista, acompanhada pelos músicos Tiago Costa (piano), Silvinho Mazzuca (baixo), Marco da Costa (bateria) e Da Lua (percussão). O repertório do show é calcado no disco de estréia, incluindo canções como ''Encontros e Despedidas'' (Milton Nascimento e Fernando Brandt), ''Agora Só Falta Você'' (Rita Lee e Roberto de Carvalho), ''Cara Valente'' (Marcelo Camelo), ''Não Vale a Pena'' (Jean e Paulo Garfunkel) e ''A Festa'' (Milton Nascimento).
Uma canção de Chico Buarque é a novidade do espetáculo. Embora ainda abalada pela morte do amigo e produtor Tom Capone, Maria Rita comemora as premiações recebidas no Grammy Latino, cuja solenidade foi realizada há três semanas em Los Angeles (EUA). Contemplada nas categorias Artista Revelação, Melhor Disco de MPB e Melhor Música (''A Festa''), ela festeja ainda o nascimento recente de seu bebê, além da vendagem de 700 mil cópias do CD e os mais de 100 mil exemplares do DVD ao vivo.
Após a turnê nacional, ele viaja para uma temporada de três semanas em Portugal. Em seguida, excursiona para outros países da Europa e Estados Unidos. Confira a entrevista que a cantora deu por telefone à Folha 2.
Esse vai ser seu primeiro show em Londrina. O repertório é o mesmo de seu primeiro CD ou você vai mostrar alguma novidade?
O show é um pouco diferente da primeira fase da turnê, que fiz antes de minha gravidez. Tem algumas mudanças no figurino, na iluminação e na parte musical. A principal novidade é uma música do Chico Burque...
Que música?
Ah, não vou falar não. É uma música que me deixa até um pouco insegura, nervosa, porque é do Chico. Acho ele o máximo, acho que ele deveria ser canonizado. Tenho uma admiração tão grande que, durante a gravação do disco, ele apareceu no estúdio e eu tive que correr para o banheiro. Mandei o Tom Capone (produtor morto recentemente) falar com ele.
Mas essa timidez diante do Chico já passou, né?
Passou nada. Nunca fomos apresentados e acho que até hoje não conseguiria encará-lo de frente. Uma vez, quando o disco já estava lançado, eu estava tomando água de coco na praia do Leblon e ele veio vindo na calçada e minha reação foi correr de novo para me esconder. Com o Lenine acontecia a mesma coisa, mas agora pelo menos já consigo conversar com ele.
Como tem sido a vida de celebridade? Você já passou por alguma situação embaraçosa motivada pelo assédio dos fãs?
Aconteceram algumas coisas incômodas enquanto estive grávida. Nesse período, por recomendação médica, eu fazia os shows e ia direto para o hotel para não me cansar muito. Houve ocasiões em que alguns fãs me seguiam, outras em que se jogavam no carro e até entravam no quarto insistindo para tocar em minha barriga. Mas foram situações raras, ocorridas uma vez ou outra. O público em geral, que se identifica com meu trabalho, tem sido respeitoso. No fundo, acho tudo muito engraçado.
E em relação à semelhança com sua mãe, houve algum antigo admirador de Elis que talvez por excesso de fanatismo chegou a incomodar você?
No começo havia essa confusão, mas depois as pessoas se acostumaram sabendo separar quem é uma e quem é outra. De qualquer forma, sinto orgulho que tenham feito essa comparação.
Você acaba de ganhar o prêmio Grammy Latino em três categorias. O que isso representa em sua carreira?
O Grammy é um prêmio muito importante. É o ''Oscar'' da música. Mas infelizmente, com exceção dos artistas e do pessoal do meio fonográfico, as pessoas não lhe dão muito valor no Brasil. A premiação garantiu visibilidade ao meu trabalho e, o mais importante, deu reconhecimento internacional à música popular brasileira.
Você já teve tempo para pensar num novo disco?
Tô começando a pensar. Mas o falecimento do Tom (Capone) desandou tudo. Continuo abalada com a morte dele, que era meu amigo, parceiro, orientador, compadre, tudo. Estou me sentindo desamparada, sem chão. Mas aos poucos, entre um choro e outro do nenê, estou mexendo no material que ouvimos para gravar o primeiro disco. Há inclusive algumas músicas que gravamos, que ficaram de fora do CD e que podemos retomar. Tenho conversado sobre isso com o Marco da Costa, que é meu baterista e foi co-produtor do CD.
Você tinha a intenção de incluir algumas coisas de rap em seu primeiro disco. Depois desistiu do projeto. A idéia pode ser retomada no segundo CD?
Pensei em gravar com alguns rappers nacionais, mas desisti porque aquela participação poderia mudar o foco do disco, que era fazer a minha voz sobressair.
Quando saiu o primeiro disco, você elogiou bastante o Marcelo Camelo, dos Los Hermanos, de quem você gravou três músicas. O fato dele ser jovem e da praia do rock, estimulou outros compositores a te procurar?
Graças a Deus tenho sido bastante assediada por novos compositores. E isso desde quando comecei a cantar. Recebo muito material. Antes de entrar em estúdio, eu passava 9 horas diárias em sessões de audição. E, a cada show, recebo de 2 a 3 CDs para ouvir. E olha que eu já fiz 80 shows!

Serviço:
- Amanhã: show de Maria Rita. Horário: 21h30. Local: Ginásio Marista (Av. Maringá, 78). Ingressos: R$ 60,00 (cadeiras numeradas setor vip), R$ 50,00 (cadeiras numeradas setor 1) e R$ 30,00 (arquibancadas). Ponto de venda: portaria do Ginásio Marista.

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