Não pense duas vezes, vá porque vale a pena ver e ouvir Rosa Passos. Ainda mais quando ela sobe ao palco empunhando o violão, com o qual quebra compassos, redesenha frases musicais e faz releituras impensáveis de sucessos próprios e de outros compositores. A intérprete e instrumentista baiana se apresenta hoje e amanhã, em Curitiba, no Teatro HSBC com repertório extraído do disco ‘‘Eu e Meu Coração’’ – que dá também nome ao espetáculo. Para acompanhá-la, Paulo Paulelli, no baixo acústico, que participou do álbum feito originalmente para o mercado norte-americano – lá recebeu o título ‘‘Me and My Heart’’.
  Show intimista, mas não sisudo. Ora, Rosa Passos, além do brilhantismo artístico, consegue logo de cara estabelecer empatia com o público. ‘‘É como se eu e o Paulo Paulelli estivéssemos tocando na sala de estar para amigos’’, definiu o espetáculo, por telefone, a cantora e compositora. Haverá participação especial do também cantor e compositor baiano Alexandre Leão, em cinco canções. Dele, Rosa vai cantar ‘‘Não sei o que acontece’’. ‘‘Alexandre tem uma linha musical muito parecida com a de João Gilberto e a minha, mas tem personalidade própria. Ele precisa ser ouvido’’, afirma Rosa Passos.
  O repertório de ‘‘Eu e meu Coração’’ (ou ‘‘Me and My Heart’’) abriga canções como ‘‘O que é que a baiana tem’’ (Dorival Caymmi), ‘‘Só Danço Samba’’ (Tom Jobim - Vinicius de Moraes), ‘‘Águas de Março’’ (Tom Jobim), ‘‘Juras’’ (Rosa Passos- Fernando Oliveira), entre outras ‘‘surpresas’’. Não esperem interpretações convencionais porque o grande barato musical de Rosa Passos está em arrancar a obviedade de canções conhecidas. Daí a fama de instrumentista personalíssima, o que lhe rendeu o rótulo de ‘‘João Gilberto de saias’’, o qual ela agradece pela referência e se esquiva por deferência.
  O disco ‘‘Me and My Heart’’ é o resultado de um show que a cantora fez, em 2001, em New Orleans (EUA). Na platéia, estava Jim Cuomo, presidente da Ryko, uma das maiores distribuidoras de CDs dos Estados Unidos que pediu para que Rosa Passos, na época no elenco da gravadora Velas, transformasse o espetáculo em disco. ‘‘Disse que gostaria de acrescentar o baixo acústico e também outras canções. Ele (Cuomo) achou legal e gravamos o disco, eu e o Paulelli, em apenas cinco dias’’, relembra.
  O disco foi lançado em solo norte-americano em abril do ano passado. No Brasil, ‘‘Eu e Meu Coração’’ chegou às prateleiras em janeiro deste ano e baixou também no Japão e Espanha. Rosa não é a exceção da velha e conhecida regra que dá conta de artistas brasileiros que ganharam, primeiramente, reconhecimento no exterior. Foi preciso ecoar o prestígio vindo do estrangeiro para que o Brasil ganhasse visibilidade, ainda não a merecida, de seu trabalho. Hoje, o respeito vem de músicos e também de nomes consagrados da MPB que se embeveceram com a carga artística dessa baiana, radicada em Brasília – entre eles Chico Buarque, Ivan Lins, Leny Andrade, Nana Caymmi e João Gilberto que, muitas vezes, lhe tece comentários agradáveis.
  Como artista, Rosa Passos é impressionante. Muitos tem como base a Bossa Nova e o jazz, mas poucos como ela conseguiram desenvolver linguagem musical própria. Se tem um pé na sofisiticação, mantém a malemolência tipicamente baiana no que produz ou reproduz. Sabe que já conquistou o próprio metro quadrado dentro da música brasileira de qualidade. ‘‘Eu digo que sou uma pessoa privilegiada por ter o dom de tocar, cantar, compor e facilidade de encontrar um caminho diferente para as canções. A música, para mim, é uma entidade muito forte e ela tem seus escolhidos. Humildemente digo que sou feliz por ser uma de suas mensageiras’’, analisa.
  O que é que essa baiana tem? Assim, de supetão, por melhor escolhidas as palavras, não dá para falar sobre a arte de Rosa Passos. Tem que ouvi-la e vê-la atuando. Quem já foi ao seu encontro, saiu encantado.
  Rosa Passos é uma mulher muito sábia!

SERVIÇO
‘‘Eu e meu Coração’’, show com a cantora e compositora Rosa Passos. Hoje às 20h30 e amanhã, às 19 horas, no Teatro HSBC (Rua Luiz Xavier, 11), em, Curitiba. Participação de Paulo Paulelli (baixo acústico) e do cantor e compositor Alexandre Leão. Ingressos a R$ 10,00 (clientes HSBC tem 50% de desconto).

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