Imagem ilustrativa da imagem SHOW - A notável Ná Ozzetti e seus balangandãs
| Foto: Marcos Hermes
Ná Ozzetti: show Balangandãs, que homenageia Carmen Miranda, continua notável oito anos depois de sua estreia



Associada ao movimento surgido no início nos anos 1980 e intitulado vanguarda paulistana, Ná Ozzetti fez uma viagem no tempo para homenagear outra musa vanguardista. Em "Balangandãs", álbum lançado em 2008, a cantora cool de emissão vocal perfeita fez uma imersão na obra de uma das mais populares intérpretes da música brasileira de todos os tempos. A mistura inusitada no repertório da pequena notável foi tão bem recebida pelo público que continua sendo apresentado em todo o País oito anos após sua estreia. Amanhã, ele será apresentado em Londrina, às 20 horas, no Centro Cultural Sesi/AML.

"Balangandãs" reúne clássicos de Assis Valente ("Camisa Listada", "Recenseamento"), Synval Silva ("Adeus Batucada", "Ao voltar do samba"), Ary Barroso ("Na batucada da vida"), Dorival Caymmi ("A preta do acarajé") e Braguinha ("Touradas em Madri"), entre outros. O interesse de Ná pela obra destes compositores é herança do início de sua carreira, quando integrou o grupo Rumo. Neste período, início dos anos 1980, o grupo pesquisou as obras menos conhecidas de compositores importantes como Noel Rosa, Lamartine Babo e Sinhô, dedicando a este tema uma série de shows e a gravação de um disco, o "Rumo aos Antigos" (1981).

O show é resultado de um trabalho desenvolvido coletivamente por Ná e os músicos Dante Ozzetti (violão), Mário Manga (guitarra, violoncelo e violão tenor), Sérgio Reze (bateria) e Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo acústico) e exprime de forma original e contemporânea o universo de Carmen Miranda e o cenário musical das décadas de 30 a 50. Carmen Miranda criou um modo de cantar que desapareceu com a própria cantora em 1955. Depois disso, surgiram (e surgem) intérpretes brasileiras excepcionais em todos os sentidos, mas nenhuma com "Carmen Miranda" na voz.

Esse elo perdido só foi recuperado na década de 1980, com o aparecimento de Ná Ozzetti. Além dos recursos que caracterizam uma grande cantora - belo timbre, alcance vocal, técnica etc. - Ná dispõe da mesma aptidão de sua precursora para manter o canto numa região melódica fluida entre a música e a linguagem oral, onde os contornos cantados são muito próximos das entoações da fala. É desse lugar que emana a força expressiva que só as duas cantoras conseguem manejar com tanta habilidade. Consciente desse talento especial, Ná já havia gravado há alguns anos o esplêndido samba de Sinval Silva, "Adeus Batucada" (CD Show), reproduzindo todos os torneios melódicos de Carmen e encantando os ouvintes com um estilo que até então parecia irrecuperável.

A apresentação em Londrina integra a programação cultural em comemoração aos 70 anos de criação do Sesi/PR. A última vez que Ná Ozzetti esteve em Londrina foi em 2009, como atração do projeto Vectra Construsson. Em entrevista à Folha por e-mail, a cantora fala sobre o longevo espetáculo e seus dois álbuns mais recentes álbuns, lançados em 2015.

O show Balangandãs está na estrada desde 2008. Desse tempo pra cá o roteiro sofreu alguma alteração?
O roteiro se manteve praticamente o mesmo deste a estreia. Não sentimos necessidade de alterá-lo, exceto um detalhe ou outro na ordem das músicas apresentadas

A que você atribui a trajetória tão longeva desse show?
Atribuo a alguns fatores, a começar pelo repertório formado por clássicos do nosso cancioneiro. O que me impressiona nas apresentações é constatar que mesmo a plateia jovem tem familiaridade com as canções, observo a plateia cantando junto, numa espécie de retorno às suas raízes. Acho importante trazer à tona esse repertório e estes compositores que são a matriz da música popular brasileira. Além disso, Carmen Miranda sempre merecerá todas as homenagens. Desde que estreamos, senti que poderia apresentar este show pelo resto da minha vida, pois ele não é datado, pelo contrário, abrange muitas camadas de tempo.

Você tem se apresentado com certa frequência em Londrina. Guarda alguma recordação da cidade?
Adoro Londrina! É uma cidade que valoriza a cultura, como Curitiba, sobretudo a produção contemporânea voltada para invenção. Sempre tive curiosidade de conhecer Londrina, por ser a cidade do Arrigo Barnabé.

Em 2015, você lançou dois álbuns, "Thiago França" (gravado com o grupo Passo Torto) e "Ná e Zé" (em parceria com Zé Miguel Wisnik). Fale um pouco sobre esses trabalhos.
Foram dois lançamentos muito importantes para mim. O fato de serem lançados no mesmo ano foi pura coincidência, pois os trabalhos vinham sendo realizados anteriormente. 2014, 2015, foram anos de parcerias. Com o Wisnik a parceria é antiga, 30 anos, mas fazia tempo que não tocávamos juntos. Então surgiu um convite para uma apresentação e logo vieram as inevitáveis consequências que resultaram em shows e na gravação do disco Ná e Zé. O Passo Torto é uma parceria recente. Os conheci pessoalmente no final de 2012. Mas antes já vinha admirando os trabalhos individuais e em outras formações, dos seus integrantes. Fiquei tão entusiasmada com o que produziam, que eles acabaram me convidando para um projeto de Ocupação Artística no Sesc Santo Amaro em 2014, que acabou resultando na gravação do disco "Thiago França".

Já tem algum outro projeto musical em andamento?
Tenho ideias sendo alinhavadas, mas não comecei a produzir ainda.

Serviço:
Ná Ozzetti - Show Balangandãs
Quanto – Amanhã, às 20 horas
Onde - Centro Cultural Sesi/AML (Praça Primeiro de Maio, 130 - Em frente a Concha Acústica) Quanto - R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada para estudantes, professores, aposentados, idosos, doadores de sangue, colaboradores da indústria e do Sistema Fiep).
Pontos de venda – Pátio San Miguel, Óticas Diniz ou www.diskingressos.com.br.

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