Shirley Temple morre aos 85 anos nos EUA
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Folhapress 
São Paulo - A atriz, cantora e dançarina americana Shirley Temple morreu ontem, aos 85 anos, em sua casa na Califórnia, de acordo com comunicado de sua família.
"Nós a saudamos em sua vida de realizações notáveis como atriz, como diplomata, e o mais importante, como a nossa querida mãe, avó, bisavó e esposa adorada de 55 anos", diz o texto.
Temple começou sua carreira aos três anos e se tornou uma das crianças mais famosas de todos os tempos. Em 1935, quando tinha 7 anos, recebeu um Oscar especial juvenil por seu trabalho.
Ela ficou conhecida por filmes como "Olhos Encantadores" (1934), "A Pequena Órfã" (1935) e "Heidi" (1937), antes de deixar a indústria do cinema em 1949, aos 21 anos, após estrelar mais de 40 produções.
A sua fama cresceu durante a década de 1930, quando ela se tornou uma figura emblemática da grande depressão americana e foi considerada a salvação dos estúdios 20th Century Fox, que na época corriam o risco de ir à falência.
Em 1936, quando tinha 7 anos, recebia cerca de US$ 50 mil por seu trabalho (o equivalente a R$ 1.920.565, com o ajuste da inflação). Em Beverly Hills, um bar popular servia uma bebida sem álcool que levava seu nome.
Ela voltou às telas no final dos anos 1950, com uma série de televisão infantil que foi cancelada em 1961.
No final dos anos 1960, engajou-se na política e tentou se eleger ao congresso da Califórnia em 1967 pelo partido Republicano. Também se dedicou à diplomacia, sendo embaixadora nas Nações Unidas (1969-1970), depois em Gana (1974-1976) e na então Tchecoslováquia (1989).
Em 1972, a atriz foi diagnosticada com câncer de mama e superou a doença. Ela se casou duas vezes, com John Agar em 1945, aos 17 anos, e com Charles Alden Black em 1950. Deixa uma filha, fruto de seu relacionamento com Agar, de quem se divorciou em 1949 e um filho que teve com Black em 1952.
Imitando adultos
Ela dança de roupas curtas e flerta com alguém que está no balcão de um bar. Um outro sujeito mama com sofreguidão uma luva que faz as vezes de teta de vaca. A menina rebola. Uma bola de sorvete escorrega por dentro de sua roupa. Ela rebola mais.
A cena está no curta-metragem "War Babies" (1932), segunda participação de Shirley Temple no cinema e uma paródia de "Sangue por Glória" (1926).
Na mesma produção, ela abraça um menininho enquanto beija outro na boca.
A estreia de Temple, em outro curta de 1932, "Runt Page", ocorrera no mesmo estilo: um ambiente boêmio em que bebês macaqueavam adultos em diversões de gente que deveria estar crescida bebida, jogos, flerte e briga por causa de mulher.
Os dois filmetes fazem parte da série "Baby Burlesks", produzidos entre 1932 e 1933 pelo estúdio Educational Pictures e dirigidos por Charles Lamont.
Neles, crianças muito pequenas paramentadas com fraldas e alfinetes gigantescos emulavam um mundo algo decaído dos adultos de maneira grotesca.
Ao todo, foram oito episódios, todos com a participação de Shirley Temple, em que os temas variavam entre o mundo do boxe e uma aventura na África.
"Você vai me ajudar a civilizar esses canibais terríveis. Vamos ter uma cidade civilizada bem aqui na selva!", diz Temple ao tipo inspirado em Tarzan que a salva de dentro de um caldeirão em "Kid 'in' Africa" (1933).
Em outra produção, "Polly Tix in Washington" (1933), Temple vive a personagem do título - uma prostituta paga para seduzir um político: "Sou cara", ela avisa, com as mãozinhas na cintura.
Sobre os filmes, a própria Temple comentou em sua autobiografia, lançada em 1988: "Eram por vezes racistas ou sexistas e uma exploração cínica da nossa inocência infantil".


