Sherlock Holmes: o personagem que ganhou vida
Sherlock Holmes:
o personagem
que ganhou vida
Canal Mundo exibe amanhã a biografia
do imortal personagem da ficção
criado por Sir Arthur Conan Doyle
Estelio Feldman
Arquivo FolhaPersonagens são
mais importantes
que o autorTVJá dizia o historiador Henry Thomás que se pode contar a história de um povo, como do mundo, através da biografia das suas personalidades mais destacadas. Ele mesmo o comprovou ao escrever a História da Raça Humana Através da Biografia. A idéia é interessante e em verdade correta, pois os grandes vultos de um povo realmente definem rumos e destinos. E a própria História.
Dentro desta idéia, o Canal Mundo, da TV a cabo, apresenta, em sua programação, a atração chamada Biografia que resgata, em cada edição, uma personagem da História. Curiosamente, porém, a atração não se fixa apenas em pessoas reais, o que seria o lógico, mas envereda também pelos meandros da lenda e da ficção. Assim, uma das atrações deste mês foi a biografia de Hércules, o mitológico herói grego. E outra, programada para amanhã, mostra a biografia de Sherlock Holmes, o imortal personagem da ficção criado por Sir Arthur Conan Doyle. Considerado o grande nome da literatura policial, verdadeiro precursor de um gênero que demorou para deixar de ser considerado arte menor, Sherlock Holmes realmente conseguiu o grande feito de superar o autor e de ganhar uma situação quase real.
O sucesso do detetive foi tamanho que o próprio autor e criador se sentiu assustado (e, dizem alguns, com inveja). Assim, Conan Doyle decidiu matá-lo, o que fez no que esperava fosse o último romance com o personagem. Enganou-se redondamente: a grita popular foi tão grande, a reação de tal modo assustadora, que o autor foi obrigado a ressuscitar o personagem.
E é do personagem a biografia que o Canal Mundo apresentará amanhã, a partir de 20 horas. Um trabalho que se prenuncia muito curioso, inclusive porque quem vai contar a história e revelar fatos da vida e da personalidade do grande detetive é seu grande amigo e assistente, o igualmente famoso Dr. Watson que, naturalmente, também é um personagem de ficção. Seguramente, Arthur Conan Doyle, pai dos dois, onde quer que esteja, deve estar indignado porque seus personagens continuam a ser considerados mais importantes do que o autor. Se tivesse mais objetividade ao analisar tudo, perceberia na verdade, o gênio que foi pois conseguiu realmente dar vida a uma invenção literária.





