ReproduçãoShakespeare: sonetos falam de homens jovensWilliam Shakespeare tinha tendências homossexuais e era misógino, afirma uma universitária britânica na introdução de um livro dedicado ao mais célebre dos poetas ingleses.
Katherine Duncan-Jones, professora na Universidade de Oxford, apóia sua tese no fato de que o famoso livro de ‘‘Sonetos’’ de Shakespeare, datado do início do século 17, parece estar dedicado a um jovem aristocrata, William Herbert, conde de Pembroke.
‘‘Nada opino sobre sua sexualidade, mas os leitores tirarão suas próprias conclusões’’, escreve a universitária na introdução de uma nova edição do livro ‘‘Arden Shakespeare’’ dedicado ao autor de Hamlet e destinado ao ensino da literatura.
Ela acrescenta que a opinião dos críticos britânicos sobre Shakespeare se viu influenciada por uma forte corrente nascida durante o processo do escritor Oscar Wilde, em 1895. Wilde chegou a ser condenado por sua homossexualidade a dois anos de trabalhos forçados.
‘‘O século XX esteve marcado por um forte sentimento de que nosso poeta nacional não poderia ter escrito páginas de erotismo homossexual’’, destacou Duncan-Jones.
Dama de negro Ela explica que a misoginia do poeta, que era casado e teve três filhos, é percebida em suas repetidas referências a uma ‘‘dama de negro’’ descrita, segundo os contextos, como adúltera, leviana, pouco atraente, mentirosa ou corrupta. ‘‘Duvido que alguma mulher possa se sentir galanteada com os sonetos dedicados à dama de negro’’, acrescentou.
A editora do livro, Jessica Hodge, apóia a tese de Duncan-Jones: ‘‘Convenceu nossa equipe de universitários de que era tempo de formular o que se torna cada vez mais evidente: que cinco dos seis textos dos sonetos falam de homens jovens. As mulheres são tratadas por Shakespeare como brinquedos’’, acrescentou.
Mas não é só Shakeaspeare que tem sua sexualidade em evidência. Semana passada passada, o pesquisador alemão Karl Hugo Pruys disse que o escritor, autor dramático e poeta alemão Goethe (1794-1832) era homossexual. ‘‘Estou firmemente convencido de que Goethe era ‘gay’ e que milhares de biografias e teses deverão ser escritas sobre o assunto’’, afirmou Pruys, biógrafo do autor de ‘‘Fausto’’.

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