DivulgaçãoSérgio Viotti: ‘‘O bom é sempre simples’’Ator shakespeareano por excelência, Sérgio Viotti passou pelo Memorial da Cidade de Curitiba (Auditório Teatro Londrina), na semana passada, com o espetáculo ‘‘As Idades do Homem: Personagens de William Shakespeare’’, tradução e texto de Bárbara Heliodora e direção de Dorival Carper. A apresentação encerrou o Curso de Formação de Platéia Teatral ‘‘Shakespeare, Nosso Contemporâneo’’, promovido pelo Solar do Rosário e pelas professoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Anna Stegh Camati e Célia Arns de Miranda. O evento teve o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e patrocínio do Banco Banestado, Companhia de Seguros Gralha Azul, Banestado Corretora de Seguros e Capitaliza.
Aos 70 anos (50 dos quais dedicados ao teatro), Viotti continua em plena forma. De segunda a sábado, pode ser visto na novela ‘‘Anjo Mau’’ da Rede Globo, interpretando o simpático português Américo. Nos palcos, participou das montagens de ‘‘A Vida de Joan Crawford’’ (97), ‘‘As Regras do Jogo’’ (94), ‘‘A Volta ao Lar’’ (92) - com o qual conquistou o Prêmio Shell - e ‘‘Baile de Máscaras’’ (91).
Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida pelo ator.
Qual a importância desse tipo de curso para compreender a obra de William Shakespeare?
Viotti - É fundamental que as pessoas se aproximem do teatro por Shakespeare. O cinema contribuiu imensamente para a popularização de suas obras, mas para mergulhar definitivamente em seu universo só vindo mesmo ao teatro. Daí a necessidade desse curso para formação de platéia.
Como o senhor classificaria o teatro de Shakespeare?
Viotti - Não acho adequado classificá-lo como um ‘clássico’, pois suas peças são populares, não têm segredo nenhum para o público. Na música acontece a mesma coisa. O correto seria dizer música de ‘concerto’ ao invés de ‘clássica’ ou ‘erudita’, pois pressupõe seu entendimento só entre as pessoas mais cultas. Mas no Brasil é assim: tudo aquilo que é antigo vira ‘clássico’. E Shakespeare viveu no século 16 (1564-1616).
Então o ideal seria um teatro menos sofisticado, menos elitista?
Viotti - Eu sou partidário do seguinte princípio: o bom é sempre simples. As pessoas têm o costume de botar uma roupa nova para ir ao teatro, como se fossem à igreja, ao cemitério ou ao cinema. Mas as portas do teatro sempre estiveram abertas ao povo, como manifestação essencialmente popular, para ser frequentado pelas pessoas simples, que normalmente não têm o costume de fazê-lo. Precisamos acabar com essa idéia de que o teatro é algo sacrossanto, intocável e feito só para alguns poucos privilegiados.

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