Shakespeare para todos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de dezembro de 1997
Edmundo Inagaki Curitiba 
DivulgaçãoSérgio Viotti: O bom é sempre simplesAtor shakespeareano por excelência, Sérgio Viotti passou pelo Memorial da Cidade de Curitiba (Auditório Teatro Londrina), na semana passada, com o espetáculo As Idades do Homem: Personagens de William Shakespeare, tradução e texto de Bárbara Heliodora e direção de Dorival Carper. A apresentação encerrou o Curso de Formação de Platéia Teatral Shakespeare, Nosso Contemporâneo, promovido pelo Solar do Rosário e pelas professoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Anna Stegh Camati e Célia Arns de Miranda. O evento teve o apoio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e patrocínio do Banco Banestado, Companhia de Seguros Gralha Azul, Banestado Corretora de Seguros e Capitaliza.
Aos 70 anos (50 dos quais dedicados ao teatro), Viotti continua em plena forma. De segunda a sábado, pode ser visto na novela Anjo Mau da Rede Globo, interpretando o simpático português Américo. Nos palcos, participou das montagens de A Vida de Joan Crawford (97), As Regras do Jogo (94), A Volta ao Lar (92) - com o qual conquistou o Prêmio Shell - e Baile de Máscaras (91).
Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista concedida pelo ator.
Qual a importância desse tipo de curso para compreender a obra de William Shakespeare?
Viotti - É fundamental que as pessoas se aproximem do teatro por Shakespeare. O cinema contribuiu imensamente para a popularização de suas obras, mas para mergulhar definitivamente em seu universo só vindo mesmo ao teatro. Daí a necessidade desse curso para formação de platéia.
Como o senhor classificaria o teatro de Shakespeare?
Viotti - Não acho adequado classificá-lo como um clássico, pois suas peças são populares, não têm segredo nenhum para o público. Na música acontece a mesma coisa. O correto seria dizer música de concerto ao invés de clássica ou erudita, pois pressupõe seu entendimento só entre as pessoas mais cultas. Mas no Brasil é assim: tudo aquilo que é antigo vira clássico. E Shakespeare viveu no século 16 (1564-1616).
Então o ideal seria um teatro menos sofisticado, menos elitista?
Viotti - Eu sou partidário do seguinte princípio: o bom é sempre simples. As pessoas têm o costume de botar uma roupa nova para ir ao teatro, como se fossem à igreja, ao cemitério ou ao cinema. Mas as portas do teatro sempre estiveram abertas ao povo, como manifestação essencialmente popular, para ser frequentado pelas pessoas simples, que normalmente não têm o costume de fazê-lo. Precisamos acabar com essa idéia de que o teatro é algo sacrossanto, intocável e feito só para alguns poucos privilegiados.


