As adaptações de Shakespeare para o cinema, feitas por Lawrence Olivier, deixaram muito a desejar, pois Olivier, em vez de recriar o texto teatral através de uma linguagem cinematográfica, simplesmente copiou o material teatral, resultando daí o que se conhece como ‘‘teatro filmado’’, uma forma canhestra de solucionar texto teatral e cinema (as mais famosas adaptações de Olivier são ‘‘Hamlet’’ e ‘‘Ricardo III’’). Agora, finalmente, no final da década de 90, John Madden, um talento novato, realizou o milagre de transcender o texto teatral de Shakespeare numa linguagem autenticamente cinematográfica.
O filme ‘‘Shakespeare Apaixonado’’ é de um vigor, de uma força, duma potência cinematográfica que deixam o espectador arrebatado. Madden, o diretor do filme, soube solucionar dialeticamente Shakespeare e a linguagem cinematográfica. Por isso, nos parece justa a premiação do filme como ‘‘Melhor Filme’’ no Oscar 1999, pois Madden provou ser possível se fazer um Shakespeare 100% cinematográfico.
Anteriormente a Madden, só Franco Zefirelli havia conseguido um mínimo de eficiência cinematográfica na transpiração de Shakespeare para o cinema, com o seu simpático e singelo ‘‘Romeu e Julieta’’. Outras tentativas válidas foram a de Mel Gibson (Hamlet) e de Al Pacino (Ricardo III). E, mais recentemente, a adaptação de ‘‘Hamlet’’, feita por Kenneth Brannagh.
Nota: Orson Welles, o genial cineasta de ‘‘Cidadão Kane’’, levou ‘‘Macbeth’’ e ‘‘Otelo’’ para o cinema, mas Welles é Welles, independente de Shakespeare.

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