Curitiba - Existem várias maneiras de falar sobre sexo. O jornalista paulistano Miguel Icassati escolheu uma, mas sob diferentes óticas. Ele reuniu 40 reportagens sobre o tema publicada pela imprensa brasileira desde a década de 70 no livro ''Um sábado no paraíso do swing e outras reportagens sobre sexo''. A obra editada pela Panda Books (2006, 311 páginas) traz matérias de 47 autores, publicadas nos mais importantes veículos do País. Para realizar a empreeitada, Icassati mergulhou em pesquisas durante dois anos. O resultado é um panorama não só sobre o controverso assunto, mas também sobre o jornalismo brasileiro.
O livro traz, por exemplo, textos assinados por nomes de conhecimento e leituras obrigatórias, como Paulo Francis (1930 -1997) e Ibrahim Sued (1924 - 1995), cujos trabalhos continuam atuais mesmo depois da morte deles, até de jornalistas que continuam (e muito) na ativa, como Jotabê Medeiros, do Jornal O Estado de São Paulo e Xico Sá, colaborador da Folha de São Paulo. Textos de Juca Kfouri, Marcos Rey e até do dramaturgo Walcyr Carrasco (que acaba de assinar a noval Alma Gêmea) também integram a obra.
A reportagem de Francis é um dos únicos textos que não foram publicados originalmente na imprensa brasileira e sim no livro ''A arte da entrevista'', organizado por Fábio Altman (Boitempo, 2004). Assinada em conjunto com Sérgio Cabral, Millôr Fernandes, Chico Júnior, Jaguar e Fortuna, a matéria é uma entrevista com o lendário criminoso Madame Satã, cuja vida foi levada ao cinema recentemente, numa competente interpretação de Lázaro Ramos.
Na reportagem, João Franciso dos Santos, mais conhecido como Madame Satã, não só é sabatinado pelo grande time, como convidado com muito humor e pertinência a falar sobre a sua vida e sobre seus crimes. Homossexual, travesti e estrela do teatro, Satã (1900-1976) foi uma lenda da malandragem carioca. Processado 29 vezes, diz ter cometido pelo menos 3 mil homicídos. Apesar da temática citada e da própria vida do criminoso destrinchada essa é a reportagem que mais se afasta do tema central do livro, mas um dos melhores textos.
Na matéria de autoria de Ibrahim Sued, ''Copacabana dos Prazeres proibidos'' (publicada na revista Status, em julho de 1977), o pai do colunismo social faz um raio x do bairro carioca, citando de personagens anônimos a ilustres como Caetano Veloso e Mick Jagger. Mas talvez a reportagem mais constrangedora já publicada e que reaparece no livro seja a de autoria do jornalista Marcos Emílio Gomes, intitulada ''A Ciranda Sexual de Brasília''. Publicada originalmente na revista Playboy, em fevereiro de 1994, a matéria traz, sem citar todos os nomes, mas dando muitas referências, os motivos e as formas que transformaram (e trasnformam) Brasília na capital do sexo.
A matéria que dá nome ao livro, ''Um sábado no paraíso do swing'' assinada por Marcelo Duarte e publicada originalmente na revista Playboy em maio de 1985 mostra o que acontece num clube de trocas de casais. Faz o leitor rever o preconceito (caso tenha) sobre esses locais depois de desmistificar os personagens que frequentam essas casas.
Mas o livro não traz apenas reportagens escritas por homens. As mulheres estão bem representadas na obra. Há textos de Ana Lúcia Neiva (autora das biografias de Xuxa e Chitãozinho e Xororó), Eliane Brum e Luciana Pinski (que atualmente colabora com o Blog do Noblat, do jornalista Ricardo Noblat). Uma das matérias mais polêmicas do livro, aliás, foi a recente entrevista de Renata Leão com o ator Gerald Thomas, publicada na Revista TPM em julho do ano passado. Thomas atende a repórter nu e assim ficou nas mais três horas da entrevista. E o mais insólito: brincando de amarrar um elástico no dito cujo. E alguns ainda acham que falar sobre sexo é constrangedor...

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