Sexo e violência urbana na nova novela da Globo
SEXO E VIOLÊNCIA
URBANA NA NOVA
NOVELA DA GLOBO
Novela que estréia hoje é uma Torre de Babel moderna e tem um shopping como vedete cenográfica
Sônia Apolinário
Agência Estado.
ReproduçãoHomossexualismo, drogas e violência urbana recheiam a trama de Torre de Babel, de Sílvio de Abreu, a nova novela das oito da Globo, que estréia hoje. Para o diretor Carlos Manga, a seriedade da história não deve ser confundida com uma história violenta - ou apelativa. Minha filha Eduarda, de 5 anos, vai ver todos os dias ao meu lado, disse o diretor. Segundo ele, a novela não mostrará o casal homossexual em cenas de intimidade. Elas não vão se agarrar nunca, afirmou.
Mas por que não? Porque esse não é o assunto principal da novela, respondeu Manga, afastando a suspeita de que o tema tenha sido censurado pela direção da emissora. Essa informação chegou a circular pelos bastidores da Globo e a solução encontrada pelo autor para que isso passasse teria sido optar pela discrição do casal. Tanto que, no quarto das duas, as camas são separadas.
ReproduçãoTarcísio Meira e Tony Ramos: inimigos mortais na nova novela da GloboA história marca a volta de Tony Ramos no papel do pedreiro José Clementino, que mata a esposa ao flagrá-la com dois homens. O patrão, César Toledo (Tarcísio Meira) testemunha o crime e o denuncia à polícia. Vinte anos depois, Clementino sai da prisão disposto a se vingar.
A estréia de uma novela das oito, há poucos dias do início da Copa do Mudo, segundo Manga, não prejudicará a atração. Ele admitiu que até já pensou o contrário. Mas suspirou aliviado ao saber que os jogos do Brasil serão à tarde. Quem sabe, até ganho uns pontinhos com os jogos, brincou.
Ele não quis informar se a estratégia de esticar os capítulos até às 22h será mantida, como aconteceu com Por Amor, que andou brigando com o Ratinho Livre, da Record - e vencendo. Não conheço esse rato de que você está falando, debochou. Andei até botando uns pedaços de queijo lá em casa, mas não apareceu nenhum rato por lá.
A novela terá uma vedete cenográfica. Trata-se do Tropical Tower Shopping, o grande empreendimento de César e que explodirá no capítulo 47. A maior parte da cena da catástrofe será feita com efeitos especiais, mas o shopping cenográfico foi construído para ruir.
É o Titanic da Globo, brincou o diretor de arte do Departamento de Cenografia da emissora, Mário Monteiro. Ao contrário das cidades cenográficas comuns, o shopping tem fundações como a de qualquer construção civil. Isso foi necessário por causa de suas dimensões: ocupa uma área de 600 metros quadrados, tem 24 metros de altura (o equivalente a um prédio de sete andares) e uma estrutura vazada com 800 janelas de vidro.
Do teto penderão esculturas do artista plástico Maurício Bentes. São três bolhas feitas de plástico industrial cheias de água colorida de vermelho. Pesarão duas toneladas; 1,2 tonelada e 600 quilos. A maior delas tem quatro metros de diâmetro e seis metros de altura.
Tudo foi construído em um mês. O que mais demorou foi a decisão de se fazer o shopping, contou Monteiro. Para a cena da explosão, foram construídas três maquetes do shopping. Uma tem metade da área da obra verdadeira, as outras são dez e cinco vezes menores. Elas é que explodirão de fato. Para dar mais realismo, as cenas de efeito serão intercaladas com outras que mostrarão o shopping cenográfico ruindo. Depois, o local será reconstruído por César.
O shopping custou R$ 700 mil. Mas a novela também tem um ferro-velho cenográfico e um cortiço. Tudo saiu por R$ 1 milhão, quantia comum às cidades cenográficas, segundo Monteiro.
Para construir o shopping, Monteiro se inspirou no quadro Torre de Babel, pintado no século 18, pelo holandês Peter Brueghel. O público deve vir a conhecer essa obra, caso a primeira idéia para a abertura da novela tenha sido aprovada: uma reprodução da obra será mostrada e uma imagem pequena do shopping será superposta a ela. A medida em que a imagem do shopping for aumentando, a da reprodução vai diminuindo. A visão do pintor para a Torre de Babel bíblica dará lugar à interpretação de Silvio de Abreu para uma Torre de Babel moderna.





