Sex symbol é protagonista no horário nobre
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de março de 2007
Márcio Maio<br> TV Press 
Entre um cigarro e outro, Fábio Assunção tenta controlar a impaciência. Inquieto, gesticula e se esquiva de perguntas que ultrapassem sua vida profissional. Nem de longe lembra o ''boa praça'' Daniel, que interpreta em ''Paraíso Tropical''. A simpatia e tranquilidade do personagem, aliás, são coisas que preocupam o ator. Tanto que Fábio tenta tomar cuidado para não transformar o novo mocinho do horário nobre em um chato defensor de seus valores.
Exatamente por conta desse risco, Fábio não hesita em afirmar que prefere encarnar tipos maus-caracteres. Ele diz que são mais fáceis na hora de expressarem emoções. ''Quem interpreta o herói tem que saber ser ágil, reagir... O Daniel não vai dar a outra face, e sim revidar'', adianta.
O que você pretende fazer para não transformar Daniel em um personagem chato?
Tento pensar no personagem de um jeito humano, como alguém que existe. Estou fazendo um personagem que compra hotéis, fecha um bordel, anda de lancha... Ele tem um ritmo moderno. O Gilberto escreve personagens muito próximos das pessoas que a gente vê nas grandes cidades e isso dá agilidade à história. Também vou lhe dar um tom explosivo quando for necessário e expressar as emoções de maneira intensa. Ele não dá a outra face, ele revida. O Daniel é um cara solar. Ele foi criado em Paraty, praticando esportes na praia, mas é um homem competente e muito sério. Acho que a história de amor que acontece entre ele e a Paula, na Bahia, pode apimentar essa coisa careta de mocinho. E, depois que ele conhecer a irmã gêmea da Paula, rola uma virada.
Como é voltar às novelas com um mocinho depois de ficar tão marcado pelo vilão Renato Mendes, de Celebridade?
A grande brincadeira da minha profissão é fazer algo diferente a cada obra. Meu personagem, o Daniel, é o bom moço sim, mas também é moderno. Ele briga, xinga, corre atrás do que acha justo... Prefiro vilões, mas não me importo em variar um pouco.
Por que você prefere os vilões?
Quando você interpreta um herói, tem de saber onde dar uma surra nele para não ficar chato. Se eu entrar em cena para gravar o Daniel sempre feliz e sorridente, vai soar falso. O ser humano não é assim, a gente passa perrengue, enfrenta fila, fica de mau-humor... Quando o personagem não tem esses artifícios, quando se resume a sorrisos e discursos melosos de amor, fica muito cansativo. É um risco que o ator corre, porque o herói tem a índole perfeita, é do tipo que uma mulher atraente passa do lado e ele nem olha.
''Paraíso Tropical'' aborda temas como prostituição e pedofilia. Você prefere trabalhar textos que não se limitem ao entretenimento e explorem temáticas sociais?
O país vive um caos social e, é claro, o Gilberto não vai deixar isso passar em branco. Falamos de pedofilia, por exemplo, que é uma coisa grave. O assunto não chega a ser aprofundado, mas é bem marcado no início. Meu personagem é preso por uma suposta acusação, forjada pelo vilão Olavo. Todo dia lemos sobre assuntos polêmicos nos jornais ou vemos isso na tevê e na maioria das vezes o grande problema é a falta de respeito e carinho ao próximo. ''Paraíso Tropical'' é, acima de tudo, uma história de amor, em todos os sentidos. E, para mostrar isso, vale a pena falar também da falta de amor.
Você faria par com Cláudia Abreu, que ficou grávida depois de ser escalada. Essa mudança foi positiva para você?
Eu amo a Cacau (Cláudia), já namoramos no passado, mas muita gente falava para mim que seria cansativo ver nós dois de novo fazendo par. A Alessandra é uma contribuição muito grande porque é a novidade dessa vez. Não tem Malu Mader ou Cláudia Abreu. Fiz par com a Cláudia em ''Pátria Minha'' e, de certa forma, em ''Celebridade''. Era rival da Malu em ''Celebridade'' e formamos um casal em ''Labirinto'' e em ''Força do Desejo''. Nessa última, a Cláudia também contracenava com a gente. Eu e a Alessandra trabalhamos juntos apenas no filme ''Sexo, Amor e Traição'', mas foi pouca coisa. Estou conhecendo ela agora e acho que vai rolar uma boa química entre nós dois.
Você teve um preparo físico especial para esse personagem?
Para esse, não. De uns dois anos para cá eu dei uma secada. Fui para São Paulo e comecei a malhar mais porque sobrava tempo. Trabalho com a imagem e quero estar bem no ar, sem neuroses. Já cheguei no ponto onde eu queria. Agora estou apenas mantendo meu corpo. Tenho 35 anos, precisava mudar certos hábitos. Foi muito mais uma reeducação alimentar do que qualquer outra coisa. Cortei frituras, gasosos e outras coisas pesadas. Uma mudança que vai me ajudar não só no meu trabalho, mas também na minha saúde.
Por que você deu esse espaço de três anos entre sua última novela e ''Paraíso Tropical''?
Peguei minha vida, que estava sendo sempre deixada em segundo plano, e coloquei no lugar. Emendei uma coisa na outra durante quase 15 anos. Terminei ''Celebridade'' e entrei em ''Mad Maria''. Fiquei seis meses gravando em Rondônia, no meio da floresta. A minissérie passa três meses na tevê, mas a gente fica o dobro gravando. Depois, fiz uma pequena participação na minissérie ''JK'', abri uma produtora de teatro e fiz os filmes ''Belinni e o Demônio'' e ''O Primo Basílio'' - que vão ser lançados no segundo semestre desse ano. A televisão prende muito. Depois da minha separação, se eu continuasse trabalhando direto, não ia ver mais o meu filho. Resolvi ser ''paizão'' nesse período.
Foi o Gilberto Braga quem convenceu você a voltar?Na verdade, não. Adoro as tramas dele, mas ia voltar antes. O Gilberto atrasou meu retorno, porque eu estava escalado para uma outra produção, mas não gosto de ficar falando sobre isso... Fiquei em ''Paraíso Tropical'' e pronto.
Você trabalha em todas as obras do Gilberto Braga desde 1994. Isso limita seu trabalho?
Longe disso. É como um casamento, a gente sempre está querendo trabalhar junto. Rola um entrosamento favorável. Não sei o motivo, mas sempre tivemos resultados legais. Mesmo em ôPátria Minha", que não foi um sucesso, a equipe trabalhou dignamente até o fim. Ele sabe que pode contar comigo e eu com ele. O Gilberto me dá muitas possibilidades.
TRAJETÓRIA TELEVISIVA
- Marco Antonio Venturini em ''Meu Bem, Meu Mal'' (Globo, 1990)
''Vamp'' (Globo, 1991) - Felipe Rocha
- Caio Pastore em ''De Corpo e Alma'' (Globo, 1992)
- Jorge em ''Sonho Meu'' (Globo, 1993)
- Rodrigo Laport em ''Pátria Minha'' (Globo, 1994)
- Marcos Mezenga em ''O Rei do Gado'' (Globo, 1996)
- Marcelo Mota em ''Por Amor'' (Globo, 1997)
- André Meireles em ''Labirinto'' (Globo, 1998)
- Inácio Sobral em ''Força de Um Desejo'' (Globo, 1999)
- Carlos Eduardo da Maia em ''Os Maias'' (Globo, 2001)
- Eduardo 'Edu' Feitosa em ''Coração de Estudante'' (Globo, 2002)
- Renato Mendes em ''Celebridade'' (Globo, 2004)
- Richard Finnegan em ''Mad Maria'' (Globo, 2005)
- Joao César em ''JK'' (Globo, 2006)
- Daniel em ''Paraíso Tropical'' (Globo, 2007)


