Setor hoteleiro vai investir R$ 6 bi no Nordeste até 2010
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terça-feira, 01 de maio de 2007
Ana Paula Lacerda<br> Agência Estado 
São Paulo - O setor de turismo investiu pesado no Nordeste. O principal motivo, obviamente, foram as praias paradisíacas da região. Mas o crescimento do Nordeste e a estabilidade econômica brasileira foram os motivos para que investidores - principalmente portugueses e espanhóis - procurassem as terras nordestinas para criar seus grandes empreendimentos.
Um dos mais recentes foi o grupo espanhol Qualta, que vai inaugurar em 2009 o primeiro hotel do The Reef Club, um resort na praia de Barreiras, em Pernambuco. Para o projeto completo, que inclui dois hotéis, três pousadas, 4 mil bangalôs, um centro comercial e um campo de golfe, serão investidos R$ 800 milhões até 2014.
''Escolhemos Barreiras por ser uma região espetacular, a apenas 20 minutos de um centro urbano muito desenvolvido, o Recife'', explica um dos sócios da Qualta Resorts, David Gordon. ''Nosso foco são turistas europeus, especialmente ingleses. Vamos mostrar a eles que Recife fica a apenas sete horas da Europa, ou seja, é muito mais perto que Nova York.''
Ele estima que, apesar do foco internacional, cerca de 30% dos imóveis à venda sejam comprados por brasileiros. ''Nos médios e grandes centros, há brasileiros que buscam bem-estar ou uma segunda casa. Serão todos bem-vindos.''
O The Reef Club está entre os dez maiores empreendimentos hoteleiros programados para serem construídos no Nordeste. ''Os resorts mudaram a economia local. Para cada R$ 16 mil investidos em hotéis, cria-se um emprego. No setor têxtil, seriam necessários R$ 32 mil, e na siderurgia, R$ 64 mil'', diz Alexandre Zubarán, presidente da Associação Brasileira de Resorts.
Ritmo acelerado - Zubarán afirma que o ritmo de investimentos na região continua acelerado. ''Eles vêm principalmente de fundos e investidores de Portugal e Espanha. Se o Brasil atingir o 'investment grade', certamente haverá um intenso movimento de outros países também.''
Cerca de R$ 4 bilhões dos investimentos previstos para os próximos dez anos vêm da penísula ibérica, mas empresas francesas, italianas e suecas têm projetos para o Nordeste brasileiro. ''As empresas querem ir para lugares seguros. A economia do Nordeste cresce, o clima é sempre bom, não há desastres naturais e todas as culturas são aceitas. É o ponto turístico perfeito'', diz Zubarán. ''O único gargalo é o setor aéreo, que esperamos que se resolva logo.''
No ritmo atual, o Litoral nordestino pode até superar Cancún, no México, em estrutura de turismo. Enquanto na ilha caribenha existem 19 mil quartos, a estimativa é que até 2010 só a Bahia já tenha ultrapassado os 23 mil quartos. O Estado concentra a maior parte dos resorts da região - atualmente são 11. Mas há projetos em praticamente todos os Estados do Nordeste.
O SuperClubs, bandeira jamaicana que administra um Hotel Breezes na Costa do Sauípe, na Bahia, anunciou a inauguração em junho de um Hotel Starfishs em Sergipe. Com um investimento de R$ 25 milhões, os 213 apartamentos e bangalôs estão localizados ao longo de seis quilômetros de praia particular na ilha de Santa Luiza.
''Os investidores são todos sergipanos. Com este empreendimento, queremos oferecer preços mais acessíveis e estimular o turismo interno'', diz Xavier Veciana, diretor geral do SuperClubs no Brasil. ''Acreditamos que muito do público do Starfish será local. A classe média sergipana, a baiana, além dos tradicionais turistas do Sul e Sudeste.''
A rede está construindo mais dois resorts Breezes, um em Búzios (RJ) e o outro em Canavieiras (BA). ''Buscamos Búzios, que é uma região bastante conhecida, mas nosso foco é mesmo o Nordeste. Não descarto novos hotéis em Maceió ou Natal'', diz Veciana.


