SÉTIMA ARTE - Filmes tornam aulas mais interessantes
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segunda-feira, 15 de março de 2010
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Mesmo com um cronograma quase sempre apertado para cumprir uma extensa programação curricular durante o ano, as escolas que investem em atividades mais sistemáticas com a utilização de filmes como ferramenta pedagógica parecem estar no caminho certo. Não é comum a exibição completa dos filmes, mas normalmente o aluno se sente motivado a assisti-lo inteiro em casa e assim amplia com os familiares o debate sobre os assuntos estudados em sala de aula.
De uma forma mais descontraída, estudar a história da Grécia antiga fica mais interessante e divertido quando associado à exibição do filme Tróia ou Gladiador. É o que acontece com a turma da sexta série da professora Patrícia Dutra, responsável pela disciplina de História na Escola Interativa, em Londrina. Na sala de projeção ou mesmo na sala de aula, trechos do filme são passados enquanto o conteúdo vai sendo exposto. A contextualização dos fatos históricos é muito importante e procuro salientar que estão vendo uma versão hollywoodiana. No caso de Tróia, na realidade os gregos não eram tão bonitos e bem vestidos como são mostrados no filme. A grande maioria tinha muitos ferimentos de guerra, exemplifica Patrícia.
Na turma da sétima série, a exibição de O Homem da Máscara de Ferro prende a atenção dos alunos, que estão estudando o absolutismo; abordar o mercantilismo ficou mais fácil com a exibição de Piratas do Caribe. São conteúdos que não fazem parte diretamente da realidade deles e os filmes ajudam a estimular esse imaginário e, consequentemente, os alunos conseguem assimilar e compreender melhor as informações apresentadas, comenta a professora.
No Colégio Londrinense a exibição de filmes também é bastante utilizada em diferentes disciplinas, mas nas aulas de arte da professora Wiviane Knott esse trabalho ainda inclui análise crítica e produção de curtas-metragens. O trabalho começa na sétima série quando os alunos são apresentados aos fundamentos básicos da fotografia, primeiro passo para entender o cinema. Entre os exercícios práticos, os alunos se divertem no pátio da escola com a observação das imagens invertidas de uma câmara escura feita em uma caixa de sapato.
Já na oitava série, os alunos estudam a análise crítica do cinema e técnicas de edição e produção de curtas. Nessa primeira fase, os alunos já assistiram aos filmes O sorriso da Monalisa, além de um curta, de 1914, e Tempos Modernos, de 1936, ambos de Charlie Chaplin. Os alunos são orientados a observar os pontos positivos e negativos dos filmes, por exemplo, sempre contextualizando com as tecnologias disponíveis para a época, explica Wiviane. O trabalho ainda pode incluir passeio ao Cine Catuaí, onde os alunos visitam a sala de projeção e assistem a um filme.
O interessante é que esse exercício de análise crítica, da discussão do papel do crítico, trouxe benefícios também para a disciplina de português. Os alunos passam a exercitar melhor a expressão das suas ideias e sentimentos através da escrita. Antes quando eram questionados sobre algum filme, apenas resumiam que era legal, lembra Wiviane.
Eu gosto muito das aulas com filmes. É mais fácil prestar atenção e o nosso olhar fica mais observador, além do ambiente da sala ficar mais divertido, comenta o aluno João Willian Almirão Juliani, 13 anos. Para Paula Bento Talizin, 13 anos, as aulas com filmes poderiam ser intensificadas em todas as disciplinas: É um trabalho envolvente e acabamos interagindo mais.
E os bons frutos dessa abordagem pedagógica podem ser conferidos também nas séries posteriores. O aluno Rafael Krawulski Sasamoto, 16 anos, mesmo com a correria dos estudos para o vestibular, se prepara para lançar uma coluna de crítica de cinema no jornal da escola. Nas aulas de artes na oitava série passei a gostar ainda mais de cinema e isso me impulsionou a ler e escrever mais sobre crítica. Tenho um blog onde escrevo sobre isso e pretendo fazer jornalismo na USP, afirma. Já Clovis Begnozzi Neto, 14 anos, conta que foi a partir das aulas de artes que passou a se interessar mais por cinema e, principalmente, pela área de produção. No ano passado, ele e mais três colegas conquistaram o primeiro lugar na Mostra Jovens Talentos promovida pela Unopar com o documentário Mãos de barro.
Câmara escura
Um tipo de aparelho ótico baseado no princípio de mesmo nome. O seu desenvolvimento no século 19 conduziu à fotografia; ainda hoje os dispositivos de fotografia são conhecidos como câmaras ou câmeras
Charlie Chaplin
Chaplin foi um dos atores mais famosos do período conhecido como Era de Ouro do cinema dos Estados Unidos


