Antônio Mariano Júnior
De Curitiba
Cinemateca de Curitiba exibe de hoje até o dia 26 mostra de filmes protagonizados pelo ícone do cinema francês
Bom ou mau ator? Talentoso ou apenas um galã? Os mais diplomáticos preferem dizer que Alain Delon é um ícone do cinema francês e, como tal, seu desempenho artístico está isento de questionamentos maiores. Agora, num ponto todos – críticos ranhetas e fãs incondicionais – concordam: o carisma do ator é incontestável. Pois muito bem, quem ainda está em cima do muro poderá tirar suas próprias conclusões através de uma mostra com filmes protagonizados por Delon que a Cinemateca de Curitiba exibe de hoje até dia 26. O evento é co-promovido pela Aliança Francesa de Curitiba.
Antes de chegar à capital paranaense, a mostra já passou por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. O pacote com os filmes – nove ao todo – foi compilado pelo Ministério das Relações Exteriores da França juntamente com a Cinemateca Francesa. E em se tratando de um tributo, claro, os organizadores selecionaram os trabalhos mais representativos de Alain Delon. Ou, em outras palavras, aqueles em que o ator dá conta – e bem – do riscado.
O pacotaço traz filmes rodados entre as décadas de 50 e 90. O mais antigo é ‘‘O Sol por Testemunha’’ (‘‘Plein Soleil’’), de 1959, dirigido por René Clement (que terá um remake com Matt Damon no papel principal) e o mais recente, de 1992, ‘‘O Retorno de Casanova’’ (‘‘Le Retour de Casanova’’), com direção de Edouard Niermans. Ah, um detalhe intrigante: todos os filmes estão legendados em espanhol.
Um dos destaques da mostra fica por conta de ‘‘O Samurai’’ (‘‘Le Samourai’’, de 67), um policial dirigido, adaptado e roteirizado por Jean-Pierre Melville. Nesse clássico, Delon encarna Jeff Costelo, um assassino profissional contratado para matar o dono de uma boate e que, aos poucos, vai se humanizando.
Aliás, o gênero policial foi priorizado pelos organizadores – são cinco, no total. O lado light da mostra, digamos assim, se resume na comédia dramática ‘‘Quartos Separados’’ (‘‘Notre Histoire’’), de 84. Dramas, três filmes. Mas em todos Alain Delon deixou sua principal marca: o charme. ‘‘Por mais que exista um lado intelectual, o cinema precisa também da fantasia e do charme, nem que seja como escapismo’’ – analisa Paulo Biscaia, diretor da Cinemateca de Curitiba.
Ele ressalta que a mostra é de fundamental importância por traçar um breve porém vigoroso panorama do cinema francês, cuja trajetória está bem alinhada com a história artística e mítica do homenageado. ‘‘Como ator, Delon é superirregular. Não que seja um mau ator, mas ele é também um galã. Se bem que em cinema ser galã já é um grande passo’’ – frisa Biscaia.
No material de divulgação, o diretor da Cinemateca Francesa, Dominique Paini, não economiza linhas e adjetivos para falar sobre Alain Delon. ‘‘Sua capacidade excepcional de adaptação a papéis diametralmente opostos tanto em termos de dramaturgia como de psicologia, suscita uma imagem de facilidade e de dom inato’’– ressalta.
A multiplicidade de personagens encarnados pelo ator também mereceu elucubrativas frases tais como: ‘‘Alain Delon fez persistir o mito do ator em uma época, a do cinema moderno, que gostava menos de atores.’’ Então, tá!!
Mostra Alain Delon. De hoje até dia 26, na Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1.174). Entrada franca. Os filmes serão exibidos com legendas em espanhol. Mais informações pelo telefone (0+ código da operadora+ 41) 322-1525, ramal 2245.

FILMES
‘‘O Sol por Testemunha’’ (‘‘Plein Soleil’’)
1969. Direção: René Clement
‘‘Gânsgteres de Casaca’’ (‘‘Mélodia en sous sol’’)
1963. Direção: Henri Verneuil
‘‘O Samurai’’ (‘‘Le Samourai’’)
1968. Direção: Jean-Pierre Melville
‘‘A Piscina’’ (‘‘La Piscine’’)
1868. Direção: Jacques Deray
‘‘Cidadão Klein’’ (‘‘Mr.Klein’’)
1976. Direção: Joseph Losey
‘‘Três Homens para Matar’’ (‘‘Trois hommes à abattre’’)
1980. Direção: Jacques Deray
‘‘Pour la peau d’un flic’’
1981. Direção: Alain Delon
‘‘Quartos Separados’’ (‘‘Notre Histoire’’)
1984. Direção: Bertrand Blier
‘‘O Retorno de Casanova’’ (‘‘Le Retour de Casanova’’)
1992. Direção: Edouard Niermans

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