São Paulo, 08 (AE) - Sete títulos fazem parte do último lote dos discos originalmente gravados pelo selo da Funarte, nos anos 70 e 80, reeditados agora pelo Itaú Cultural e pela gravadora Atração Fonográfica ([email protected]). O acervo é rico e raro. Foi abandonado nos anos 90, com o governo Collor. Correu o risco de perder-se. É música de pesquisa folclórica, obra de autores eruditos, resgate de matrizes culturais.
Os títulos que encerram a série são "Francisco Mignone - 16 Valsas para Fagote Solo", com Noel Devos; Na Pancada do Ganzá", com o coqueiro Chico Antônio; Tributo a Garoto", com Radamés Gnattali (piano) e Rafael Rabelo (violão); "O Canto da Terra", de Maura Moreira, com Sonia Maria Vieira, ao piano; "Furio Franceschini e Seus Intérpretes", com Eudóxia de Barros
Yara Ferraz e Amaral Vieira e Belkiss Carneiro de Mendonça; Villa-Lobos", por Oscar Borgerth, violino, e Ilara Gomes Grosso, piano; e a Suíte Brasil", de Francisco Mário, com o autor.
O francês Noel Devos tornou-se um dos maiores solistas de fagote da cena brasileira e é o intérprete por excelência das valsas do paulista Francisco Mignone, nascido em 1897. Esse conjunto de valsas (uma delas escrita para o solista) sublinha o caráter sentimental da modalidade popular suburbana e lhe confere tratamento erudito. É uma das coleções mais belas da música brasileira.
Aloísio Magalhães entusiasmou-se com o coqueiro Chico Antônio e realizou um projeto, no Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro, chamado Chico Antônio e Seu Meio. O primeiro trabalho do projeto foi o disco em que o coqueiro, personagem fundamental do Turista Aprendiz, de Mário de Andrade, canta suas músicas, um documento fundamental para a história da tradição da música do interior brasileiro. O violonista Garoto, Aníbal Augusto Sardinha, foi um dos maiores instrumentistas da música brasileira (violões, banjo, guitarra havaiana, cavaquinho
bandolim, piano) e um dos violonistas que consolidaram a feição daquilo que, muito por causa dele, passou a ser identificado como violão brasileiro.
O CD dedicado à sua obra tem seis composições curtas e o "Concertino para Violão", uma redução do "Concertino n.º 2 para Violão e Orquestra".
Mauro Gomes e Sônia Maria Vieira interpretam as Lendas Amazônicas, de Valdemar Henrique, cantos indígenas, pontos de santo, cantos afro-brasileiros, modinhas seculares, folclore de várias partes do País. São gravações que a Funarte, sem interesse comercial, podia dar-se ao luxo de fazer. O resgate delas é um mérito, uma iniciativa que merece todos os aplausos.
Como também a retomada da Suíte Brasil, de Chico Mário. O compositor, irmão de Henfil e Betinho, como eles vítima da aids, fez da música uma questão política. Compôs retratos musicais do País e dos muitos que compôs, esta Suíte é a mais eloquente e bonita.
Furio Franceschini nasceu em Roma, na Itália, em 1880. Fundou a primeira escola de órgão em nível superior brasileira, em São Paulo, e deixou 600 composições, ao morrer, em 1976. No disco dedicado a ele estão, entre outras, as Duas Pequenas Peças para a Infância e a Invenção em Duas Partes. De Villa-Lobos, violino e piano fazem as "Sonatas, de 1 a 3, e o Improviso n.º 7". Restaura-se, com a coleção agora completada, parte de nossa história sonora.

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