Sessenta anos de ondas sonoras
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de outubro de 2001
Rodrigo Souza Grota<br> De Londrina 
Em 1943, os únicos meios de comunicação dos londrinenses eram os jornais que por aqui circulavam. Foi nesse ano que chegou a então ''modernidade'' à cidade, a primeira emissora de radiodifusão, a Rádio Londrina. Essa e outras histórias sobre um dos mais antigos meios de comunicação da humanidade são o mote do livro ''Da Rádio Londrina à Rádio Universidade'', da professora de radiojornalismo da UEL Francisca Souza Mota e Pinheiro. Publicado pela Eduel (a editora da universidade), o estudo será lançado hoje, a partir das 19h30, no Centro de Eventos do Shopping Quintino (Rua Quintino Bocaiúva, 812), em Londrina.
O título da obra se refere a dois extremos - a primeira e a última emissora a se instalar em Londrina. Após 12 anos de estudo, a professora avalia que o que une os profissionais do rádio é a paixão por esse meio, o mais imediato dos meios de comunicação e o mais acessível à população ainda. ''Não é um meio que dá muito dinheiro, mas é como se fosse uma doença''.
O livro traz fotos dos bastidores das emissoras em uma época em que o rádio monopolizava a atenção do público. Radionovelas, programas de auditório, dramatizações de histórias policiais, além dos noticiários. A última radionovela veiculada em Londrina foi de autoria de Raimundo Lopes, exibida em 1973. A época de ouro comandada pela Rádio Atalaya e pela Difusora chegava ao fim. Apesar da diminuir o público de rádio quando surigiu a TV, a autora acredita que o número de ouvintes ainda é muito grande, devido à credibilidade desse meio. ''A expressão 'deu no rádio' é muito comum ainda para garantir que o fato ocorreu'', justifica.
Nomes como Aymoré Kley (um dos primeiros profissionais de rádio da cidade), Raul Pedro Dal-Col, Osíres Mourão, Raul Zanoni, Antonio Marcos, JB Faria, Fiori Luís, José Makiolke, segundo a professora, são os principais da história do rádio na cidade. Outra caracterísitca muito comum em Londrina é o fato de muitos radialistas se aproveitarem do meio para ingressar na política, observa Francisca, acrecentando que os próprios políticos admitem isso. Figuras como Antônio Casemiro Belinati, Álvaro Dias, Antenor Ribeiro nasceram para o grande público no rádio e depois conseguiram se eleger. Belinati, por exemplo, após ser preso e cassado, voltou a apresentar um programa de rádio diário.
Hoje em Londrina existem 10 rádios AMs e 5 FMs. A última a surgir das AMs foi a Tabajara, em 1964; mas em janeiro de 1995, a Cruzeiro se transformou em CBN, a Central Brasileira de Notícias, comandada pelo jornalista Paulo Ubiratan. Das FMs, a Rádio Universidade foi a última, inaugurada em 6 de junho de 1990.
Outro atrativo da publicação são as cópias das laudas antigas das rádios contendo textos publicitários e noticiosos, como um que apresenta a carta de despedida do ex-presidente Getúlio Vargas, em 1954, pouco antes de se matar. O livro também apresenta as relações entre rádio, governo, política e religião, relação que ficou evidente nos últimos anos, quando o ex-prefeito de Londrina, Antônio Belinati, foi acusado de usar verbas publicitárias da Prefeitura para pressionar as rádios (e os demais órgãos de comunicação) a não informarem as denúncias apresentadas ao Ministério Público. ''Da Rádio Londrina à Rádio Universidade'' - livro de Francisca Souza Mota e Pinheiro, Eduel, R$ 25,00. Lançamento hoje, a partir das 19h30, no Centro de Eventos do Shopping Quintino (Rua Quintino Bocaiúva, 812), em Londrina.


