Sessão Espírita
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de abril de 2010
Omar Godoy<br> Equipe da Folha 
É bem provável que ''Chico Xavier'' seja o grande sucesso nacional desta temporada. E não só por causa do marketing agressivo da Globo Filmes, que encomendou até uma edição especial do ''Globo Repórter'' só para divulgar a cinebiografia do médium mineiro. A verdade é que o longa trata de uma figura tão forte e cultuada que o público sequer vai identificar os problemas da produção. Além disso, as platéias brasileiras já estão mais do que familiarizadas com o padrão ''global'' do diretor Daniel Filho, responsável pela grife ''Se Eu Fosse Você''.
Tudo é básico na realização do filme, em cartaz em todo o país a partir de hoje, dia do centenário do nascimento de Francisco de Paula Xavier. Mesmo os prometidos efeitos especiais ''de ponta'' são discretíssimos - e se limitam, no máximo, a duas cenas. Alguns momentos chegam mesmo a beirar o trash, como as aparições de Emmanuel, o espírito que guia o médium (vivido por um ator desconhecido, André Dias, vestido como Luke Skywalker).
Mas nem tudo é constrangedor em ''Chico Xavier''. O elenco, por exemplo, é de primeira linha, com nomes como Tony Ramos, Christiane Torloni, Giulia Gam, Letícia Sabatella, Luis Melo, Paulo Goulart e Pedro Paulo Rangel. Sem contar, claro, Nelson Xavier e Ângelo Antônio, que brilham na pele do biografado em fases distintas de sua trajetória. Antônio, o ''Chico jovem'', chega a mudar de feição quando o personagem assume para si a tarefa de disseminar o espiritismo no país.
Outro trunfo está no roteiro, baseado no livro ''As Vidas de Chico Xavier'' e assinado por Marcos Bernstein, co-autor de ''Central do Brasil''. Mesmo arrastada em determinadas passagens, a história conta com pitadas de humor que aproximam o médium dos meros mortais. De quebra, há uma trama paralela comovente, que vai ganhando força até se tornar o ápice do filme. Uma ótima sacada, já que a narrativa não se estende até a morte de Xavier (chega somente aos anos 1970, quando ele vira uma celebridade nacional por meio de um programa de televisão).
Muita gente vai chorar no fim da sessão. E não será surpresa se começarem a surgir relatos de visões e sinais sobrenaturais ocorridos nas salas cinemas. Em um país sincrético como o Brasil, ''Chico Xavier'' funciona como uma boa consulta espiritual - deixa mais leve até quem não crê na vida fora do plano físico.


