Mais do que um diretor de cinema, Zack Snyder é um verdadeiro artista visual. Seus filmes oferecem ao espectador um olhar inédito e contemporâneo, fruto da combinação entre as novas tecnologias digitais com um conhecimento profundo da cultura pop. Foi assim em ''Madrugada dos Mortos'', ''300'', ''Watchmen'' e agora na animação ''A Lenda dos Guardiões'', que estreia hoje nos formatos tradicional e 3D.
Em sua primeira incursão no gênero, Snyder (já escalado para dirigir o próximo longa do Super-Homem) narra a guerra entre duas tribos de corujas. Baseada na série de 15 livros (15!) da escritora Kathryn Lasky, a história começa na pacata floresta de Tyto, onde os irmãos Soren e Kludd vivem com seus pais. Eles mal saíram do ninho, e numa tentativa frustrada de voar acabam caindo no solo - para deleite dos predadores de plantão.
Os dois imediatamente são atacados, mas conseguem escapar graças à ajuda repentina de corujas maiores e mais fortes. O problema é que seus salvadores também não têm boas intenções. Raptam os filhotes e os obrigam a integrar um exército maligno que está se formando.
Os irmãos, no entanto, seguem caminhos diferentes. Soren se rebela, é punido e vira escravo do grupo. Já Kludd, fascinado com a possibilidade de ser um grande guerreiro, opta pelo ''lado negro'' (qualquer semelhança com Darth Vader não é mera coincidência).
Acompanhado de corujinhas aparentemente frágeis, Soren consegue fugir e pede ajuda para os Guardiões de Ga'Hoole, um virtuoso grupo de soldados que ele conheceu por meio das lendas contadas por seu pai. Começa então uma previsível batalha entre o bem e o mal, marcada por cenas de luta muitíssimo bem realizadas - porém um tanto violentas para as crianças menores (atenção, pais!).
O visual caprichado, no entanto, não compensa o roteiro simplório. A metáfora bélica é desinteressante e o conflito entre os irmãos, que deveria ser o ponto alto da trama, não se desenvolve. Até as piadinhas de praxe são sem graça. Isso não significa que o público pré-adolescente, especialmente os meninos, vá rejeitar o filme - que, a julgar pelo desfecho em aberto, certamente deve ganhar uma continuação.

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