Sâo Paulo, 09 (AE) - O Sesc Pompéia está estreando um novo formato de programação de dança. De amanhã a domingo, "Dança em Primeiro Ato" apresenta quatro trabalhos diferentes, todos inéditos na cidade. Apesar da inadequação do nome, o evento nasce com aptidão para delimitar um novo nicho. Quem sabe
ganhe continuidade e consiga tornar-se uma vitrine plural do que ocorre com a dança pelo País.
Nesta edição, está reunindo dois trabalhos de Belo Horizonte, o de Adriana Banana (Magazin) e o de Joaquim Elias Costa (Um Alarme para o Silêncio), um do Rio de Janeiro, de Dani Lima (Piti), e um de São Paulo, com João Andreazzi (Shoot on the Hood).
Quem abre o "Dança em Primeiro Ato" amanhã, às 21 horas, é "Magazin", o segundo espetáculo da companhia Ur=HOr. A fórmula da expansão das galáxias foi escolhida para dar nome ao grupo - o que já indica o tipo de compromisso que se pretende desenvolver por lá. Interessada no corpo contemporâneo, Adriana Banana dedica-se a explorar a simbologia do feminino fora dos lugares-comuns que o tema geralmente inspira. Dançado por Luciana Gontijo, Thembi Rosa, Renata Ferreira, Paula Akiko e pela própria coreógrafa, tem cenário assinado pela arquiteta e produtora Carla Lobo.
Adriana Banana, ex-parceira de Marcelo Gabriel na Cia. de Dança Burra, tornou-se uma das mais importantes revelações da dança contemporânea brasileira. No trabalho de estréia da sua companhia, Creme, demonstrou um talento e uma densidade de informação muito raros em criadores tão jovens (ela tem apenas 24 anos), indicando que deve trilhar uma carreira tão singular quanto promissora.
O universo feminino continua em cena na sexta-feira, às 21 horas, com a carioca Dani Lima e seu espetáculo Piti. Mas nesse, redes, cordas e tecidos suspensos mantêm o assunto a muitos metros do chão, por meio de recursos circenses adaptados à dança. Dani Lima promete bom humor e poesia nas suas imagens. Em tempos em que muitos se sentem atraídos pela exploração da dança aérea, Dani colabora para a consolidação dessa forma híbrida de produção.
No sábado, um trabalho criado em Amsterdã e remontado em São Paulo: "Shoot in the Hood", marcando a reestréia de João Andreazzi no circuito local de dança. Depois de quase dois anos fora, Andreazzi mostra o resultado do que aprendeu por lá. Nessa sua versão não muito infantil de Chapeuzinho Vermelho, que ele conta misturando vídeo, música, teatro e dança, não há preocupação com a narrativa literária, mas sim com o que nela existe de mais geral. Paulo Vinícius e Roberta Mazzola realizaram um intenso trabalho de pesquisa para conseguir unir elementos abstratos aos fatos concretos da história. Para quem acompanha a carreira desse competente criador, trata-se de uma oportunidade única restabelecer o contato.
João Elias Costa encerra a programação no domingo, às 18 horas, com o espetáculo que criou para o FID do ano passado, "Um Alarme para o Silêncio". Bailarino de Creme, a obra de estréia do Ur=HOr, desta vez João Elias usou a poesia de Manoel de Barros como alimento das suas improvisações. Evitando o regionalismo e o folclore, buscou apenas as coisas simples e aparentemente inúteis. A bailarina Margô Assis e a artista plástica Aryanne Perrottet (responsável pelo figurino) também participam da montagem, que conta com trilha sonora original de Paulo Thomaz e Regina Lopes Maciel. Serviço - Grupo de Dança 1º Ato. Amanhã e sexta-feira, às 21 horas; domingo, às 19 horas. Duração de 1h10. R$ 10,00. Sesc Vila Mariana. Rua Pelotas, 141, em São Paulo, tel. (011) 5080-3147. Até domingo.

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