Sertões centenários
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quarta-feira, 31 de julho de 2002
Agência Folha 
São José dos Campos - Em comemoração ao centenário de lançamento de ''Os Sertões'', de Euclides da Cunha, o historiador José Luiz Pasin lança neste sábado, às 16h30, em Guaratinguetá (SP), o livro ''O Outro Euclides, O Engenheiro Euclides no Vale do Paraíba - 1902/1903''.
O livro, com 320 páginas, reúne 35 artigos e depoimentos de pessoas que conviveram e trabalharam com Euclides da Cunha durante os dois anos em que o escritor morou em Lorena, contratado como engenheiro pelo governo do Estado.
A coletânea de artigos e depoimentos foi publicada em jornais do Vale do Paraíba, São Paulo e Rio de Janeiro em 1952, quando foi inaugurada a Sala Euclides da Cunha na Unisal (Centro Universitário Salesiano de Lorena).
José Luiz Pasin, 63, professor da Unisal, pesquisou durante dois anos para conseguir reunir todos os artigos de personalidades da época, que mostram, além da capacidade profissional do escritor, traços de sua personalidade.
''Ele era impulsivo e irritado e, ao mesmo tempo, um gênio'', explicou Pasin.
Além dos depoimentos, o livro reúne os contos ''Uma Volta do Passado'', ''Fazedores do Deserto'' e ''Entre as Ruínas'', que Euclides escreveu sobre o Vale do Paraíba. Os dois últimos foram publicados no livro ''Contrastes e Confrontos'', do escritor.
''Ele era apaixonado pelo Vale. Sem dúvida, os dois anos em que morou aqui foram os mais felizes de sua vida'', afirmou.
Além da pesquisa, Pasin é responsável pela organização e introdução do livro.
Segundo ele, por meio dos artigos é possível mostrar um Euclides da Cunha desconhecido, pai de família e muito trabalhador.
Pasin disse que Euclides da Cunha começou a escrever ''Os Sertões'' em São José do Rio Pardo. Segundo o historiador, ele corrigia os originais do livro em Lorena, onde morava com a família.
Além disso, durante os dois anos em que esteve na região, o escritor foi eleito para a ABL (Academia Brasileira de Letras) e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
Como engenheiro, Euclides da Cunha construiu nove pontes metálicas sobre o rio Paraíba, 21 pontilhões, oito pontes de madeira, dez prédios para grupos escolares, seis rodovias e sete prédios para cadeias.
Algumas dessas obras ainda podem ser encontradas na região, como a cadeia de Silveiras, as rodovias que ligam São Luiz do Paraitinga a Ubatuba e Caraguatatuba a São Sebastião e a escola Alfredo Pujol, em Pindamonhangaba, cujo prédio foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo).
''Ele andava a cavalo por toda a região para fiscalizar as obras, inclusive por cidades do litoral norte, como Ubatuba'', explicou o historiador.
Pasin já escreveu 12 livros sobre a história da região, entre eles ''Os Barões do Café'' e ''Vale do Paraíba, Ontem e Hoje''.
No final deste ano, ele vai lançar ''A Jornada da Independência'', sobre a viagem histórica do então príncipe regente Dom Pedro pelo Vale, em agosto de 1822.
''O Outro Euclides, O Engenheiro Euclides no Vale do Paraíba -1902/1903'', de José Luiz Pasin. Lançamento no sábado, às 16h30, na Usefaz (av. Padroeira do Brasil, 957), em Guaratinguetá (SP). R$ 25


