Arquiteto formado pela FAU (USP), José Carlos Serroni leva também sua assinatura para a cenografia, figurino e artes plásticas. Participou de inúmeros projetos de arquitetura cênica, como o Teatro do Sesc Vila Mariana (SP), do Novo Teatro Oficina, entre outros. Como cenógrafo e figurinista participou de importantes festivais internacionais de teatro Toga (Japão), Seul, Cádis (Espanha), Nova York, Caracas (Venezuela) e no Brasil marcou presença nos festivais de Londrina, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. As concepções cenográficas singulares dos espetáculos ''Sonhos de Uma Noite de Verão'', ''Macbeth'', ''Morte Acidental de um Anarquista'', ''Dias Felizes'', ''Paraíso Zona Norte'', ''A Morte do Caixeiro Viajante'', só para citar alguns, elevaram o nome do pensador do espaço cênico J. C. Serroni à categoria de grife.
Serroni recebeu diversos prêmios em cenografia e figurinos no Brasil, como APCA, Mambembe, Governador do Estado, Shell e o Molière. Coordenou por dez anos o núcleo de cenografia e figurinos do C.P.T (Centro de Pesquisa Teatral do SESC), dirigido por Antunes Filho. Desde 1998 dirige o Espaço Cenográfico, um atelier em que agrupa diversas atividades relacionadas à cenografia e arquitetura cênica abertas ao público, como biblioteca especializada, exposições e publicação de um boletim informativo.
Desde que trabalhou na Fundacen (que depois se transformou em IBAC e Funarte), viajou o País e iniciou um mapeamento dos espaços teatrais. Com a exposição Fernanda Encena, há 3 anos, recebeu o incentivo e a promessa de patrocínio da BrasilTelecom. ''Teatros, uma Memória do Espaço Cênico no Brasil'' envolveu 30 pessoas (15 pesquisadores e 15 fotógrafos), consumiu 6 meses de organização e recebeu cerca de 50 depoimentos para compor as 360 páginas.
Em entrevista à Folha2, por telefone, J. C. Serroni conta que viajou por todas as capitais brasileiras e cidades mais importantes. No itinerário arquitetônico, constatou que 95% dos teatros no País foram concebidos em formato de palco italiano e desse total 50% funcionam também como auditório, sem oferecer condições técnicas para realizações de espetáculos. Quase 50% dos teatros brasileiros não possuem caixa cênica e são frutos de adaptações de locais que não foram pensados para teatros. Outra constatação se refere à administração dos teatros, sob a responsabilidade de órgãos públicos, comandada por pessoas distanciadas do universo do teatro. A seguir, os principais trechos da entrevista com J. C. Serroni.
O poder público investe pouco nas construção de novas salas de teatro?
Investe pouco, mas não podemos ficar esperando que os órgãos públicos façam tudo. No Brasil, não temos espaços mantidos por famílias, como nos Estados Unidos.
O que falta nos teatros construídos no País nas últimas décadas?
Acho que vem melhorando o panorama, com a consultoria de técnicos na construção de novos espaços. No Brasil, não existe um teatro ideal. Os nossos melhores teatros estão aquém, mas estamos fazendo teatros mais modernos, em relação aos equipamentos, em termos de luz. As pessoas nem imaginavam que haviam tantos teatros no Brasil.
Você acha que a forma mais adequada de funcionamento de um teatro hoje é como um centro cultural?
Os artistas estão fazendo cada vez menos teatros, viajando menos. As peças vão para praças que compensam e com montagens mais simplificadas. Por isso, é preciso uma política de funcionamento. Posso citar a do Sesc em São Paulo, o maior proprietário de teatros no Brasil, com 53 salas. É preciso ter um esquema de programação, saber usar bem, fazer o teatro vivo. Existem três momentos para a existência de um teatro: o primeiro, se relaciona à função da obra; o segundo os equipamentos (metade dos recursos vai para os equipamentos); e o terceiro é a programação para deixar o espaço vivo.
Quais os seus teatros preferidos?
Todos os 88 relacionados no livro. Mas prefiro os espaços mais íntimos que propiciem uma relação mais bacana com o que está acontecendo no palco e a platéia. Dos teatros do início do século, não posso deixar de citar os teatros municipais do Rio de Janeiro e São Paulo. Gosto também do Teatro José de Alencar (Fortaleza-CE), Teatro São Pedro (Porto Alegre-RS), Teatro Castro Alves (Salvador-BA), em São Paulo gosto do Teatro Alfa, Teatro Sesc Anchieta, Teatro Abril e do Teatro Oficina, que rompe com tudo, que tem uma arquitetura muito radical.
E os teatros de Londrina, você conhece?
Sim. Eu gostaria de falar de um bom teatro em Londrina, mas não posso. É uma pena. Apesar de o Ouro Verde ter um projeto do Villanova Artigas, não foi concebido para teatro. Os espaços existentes aí são precários. É hora de Londrina ter um bom teatro.

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